Telecomunicações devem estar a serviço da vida
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2005
Niels Planel<br>France Presse 
KOBE, Japão- As telecomunicações existem para salvar vidas ou melhorá-las, para isso é necessário desenvolver a infra-estrutura necessária nos países pobres, segundo os participantes da Conferência Mundial sobre a Prevenção de Catástrofes, que está sendo realizada em Kobe (oeste do Japão).
Jan Egeland, subsecretário geral de Assuntos Humanitários da ONU, lamentou que as informações sobre o maremoto não tenham se propagado da melhor forma. ''Faltaram meios para informar as pessoas afetadas'', declarou em uma entrevista coletiva à imprensa.
Em caso de catástrofe, as telecomunicações desempenham um papel-chave para transmitir informações, facilitando ou acelerando o que deve ser feito, segundo Cosmas Zavazava, responsável pelo setor de emergência da União Internacional de Telecomunicações (UIT).
No maremoto do Oceano Índico, grande número de sobreviventes, em particular turistas, são pessoas que receberam informações rapidamente, destacam os especialistas.
''As tecnologias existem para salvar vidas ou melhorá-las'', insistiu Samer Hahawi, da empresa Inmarsat.
As equipes de resgate utilizam as telecomunicações para coordenar a logística das operações de socorro e ajuda. Não há dúvida de que os países não possuem todos os mesmos recursos tecnológicos.
No período de 1994 a 2003, 95% das pessoas que perderam a vida em desastres naturais viviam em países com acesso pequeno ou mediano à tecnologia, de acordo com um estudo da ONU.
A média anual de pessoas mortas em catástrofes naturais por milhão de habitantes nos países de desenvolvimento humano baixo ou médio é 2,3 vezes maior do que nos países com um desenvolvimento humano elevado, indicou o mesmo estudo.
Os países do Oceano Índico duramente afetados pela tsunami, que deixou cerca de 170.000 mortos, carecem de meios para enfrentar a catástrofe, lembram os especialistas.
''Em geral, as empresas de telecomunicações não consideram lucrativo investir em infra-estrutura'' nos países pobres, explicou Hahawi.
Por exemplo, o Congo dispõe de apenas 0,014 linha telefônica por habitante, e vários países como Haiti, Chade ou Burundi se encontram em situação parecida.
''A maioria dos países sem telecomunicações são pobres e possuem outras prioridades'', explicou Zavazava. A falta de estabilidade política impede também o desenvolvimento de infra-estrutura para as telecomunicações.
Ainda segundo os especialistas, os veículos de comunicação mais baratos continuam sendo o rádio e a televisão.
Para simplificar a coordenação internacional, a Convenção de Tampere, que facilita o uso de recursos de telecomunicações de emergência nos países que a ratificaram, entrou em vigor no dia 8 de janeiro.
A conferência da ONU reúne em Kobe 4.000 especialistas e responsáveis de mais de 150 países. Esta reunião adquiriu um significado especial depois do maremoto que arrasou o litoral de diversos países banhados pelo Oceano Índico no dia 26 de dezembro.


