Tel Aviv bloqueia repasse a palestinos
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segunda-feira, 03 de dezembro de 2012
Folhapress 
São Paulo - O governo de Israel anunciou ontem que não deve transferir os impostos arrecadados neste mês de novembro em nome da ANP (Autoridade Nacional Palestina) em reação ao recurso à ONU no qual a Palestina obteve o status de Estado observador não membro perante a organização.
É a mais nova retaliação de Tel Aviv contra a liderança palestina. No dia seguinte à votação na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, o governo do premiê Binyamin Netanyahu já autorizara a construção de 3.000 novos imóveis em áreas da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental que foram ocupadas na Guerra dos Seis Dias (1967).
O montante bloqueado chega a US$ 100 milhões (R$ 213 milhões) e representa até 50% do exíguo orçamento palestino. Com problemas financeiros e um comando limitado sobre a Cisjordânia ocupada, a ANP depende amplamente do dinheiro mensal para pagar o funcionalismo público. ''Eu não penso em transferir dinheiro neste mês. Vou usá-lo para pagar pelas dívidas que a ANP contraiu com a empresa de eletricidade'', disse o ministro das Finanças de Israel, Yuval Steinitz, numa reunião de gabinete, de acordo com o site do jornal ''Yedioth Ahronoth''.
Em virtude dos Acordos de Paris de 1995, protocolo econômico dos Acordos de Oslo, o Ministério da Fazenda de Israel é que arrecada todos os meses para a ANP taxas de produtos que entram na Cisjordânia e também de palestinos que trabalham em Israel.
Segundo o ministro israelense, a arrecadação do mês de novembro, que deveria ser repassada por volta do dia 5, será usada para pagar a dívida de 700 milhões de shekels (R$ 392 milhões) que a ANP acumulou nos últimos anos com a empresa nacional de eletricidade de Israel.
Na semana passada, a empresa israelense de eletricidade teve que pedir um empréstimo especial aos bancos, com garantia do governo, para tapar um rombo de mais de 1 bilhão de shekels (R$ 560 milhões).


