Teerã expõe descrença em imposição de sanções
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quarta-feira, 19 de maio de 2010
Folhapress 
São Paulo - Autoridades iranianas reafirmaram ontem o compromisso com o acordo mediado por Brasil e Turquia no fim de semana, apesar da rejeição do Ocidente, e disseram descrer da possibilidade de aprovação de sanções defendidas pelos EUA na ONU. ''O acordo para intercâmbio de urânio apoiado por Brasil e Turquia vai funcionar'', disse o ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, no Tadjiquistão, onde participa de encontro da
Organização da Conferência Islâmica. Quando do anúncio do acordo, na última segunda-feira, Teerã se comprometeu a formalizar os termos do entendimento à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU) em sete dias.
O compromisso do país é enviar os 1.200 kg de seu estoque de urânio pouco enriquecido à vizinha Turquia em até um mês depois de um eventual aval da agência à proposta, para em um ano receber de volta 120 kg do material processado a 20%. Mottaki ironizou a apresentação da resolução de novas sanções na ONU no dia seguinte ao anúncio do acordo. ''Alguns membros do Conselho de Segurança trouxeram uma nova receita da cozinha. Mas parece que esse prato que eles prepararam não está sendo dado aos convidados na hora certa, porque eles já tinham almoçado. Não levemos isso a sério'', afirmou.
Além dos membros com poder de veto -EUA, França, Reino Unido, Rússia e China, o México anunciou apoio às medidas ontem. São necessários nove votos e nenhum veto para que a proposta seja aprovada. Assim como Brasil e Turquia, o Líbano, outro dos dez países não permanentes do organismo, se opõe à punição.


