Os primeiros sinais de poluição apareceram ontem junto ao navio-tanque italiano Ievoli Sun, que naufragou na véspera perto das costas francesas com 4 mil toneladas de estireno a bordo, fretadas pelo grupo Shell.
‘‘Parece que os danos graves estão descartados, mas é uma questão para a qual nunca se é bastante prudente’’, declarou o presidente da França, Jacques Chirac, que ontem pela manhã chegou a Cherbourg (noroeste) para se reunir com as autoridades civis e militares.
Chirac disse ter insistido, no decorrer de suas entrevistas com as autoridades, na necessidade da transparência, exigindo ‘‘uma informação imediata sobre a situação, suas características, seus perigos, de forma a se evitar a psicose’’.
O cargueiro Ievoli Sun, uma verdadeira bomba química, foi fretado pelos grupos Shell e Exxon-Mobil. Transporta 4 mil toneladas de estireno, um produto corrosivo e cancerígeno não solúvel na água, e 2 mil toneladas de produtos não tóxicos.
O grupo Shell se declarou disposto a assumir suas responsabilidades, enquanto os primeiros sinais de poluição provenientes do navio, que afundou em frente à costa normanda terça-feira passada, foram observados ontem pelo navio Céphée no local do naufrágio.
O Cephée registrou um ‘‘forte cheiro de estireno’’ nos restos do navio-tanque italiano, indicou a administração marítima de Cherbourg, informando que parecia se tratar de estireno mesclado com gasóleo. O cheiro do produto químico ‘‘é muito forte, e se trata de um cheiro que não se esquece uma vez que se sentiu’’, disse a administração.
‘‘Estamos dispostos a assumir nossa responsabilidade, para limitar os riscos e recuperar nossa carga’’, disse Christian Balmes, diretor-geral da Shell.
O capitão do navio Jean François Choquart disse por sua vez que ‘‘no estado atual das coisas, há um escapamento’’ que se está tentando reparar.
As autoridades militares aconselharam os navios do Canal da Mancha a não passarem a menos de 6 km dos restos do navio-tanque. O Ievoli Sun está a 70 metros de profundidade, a 20 km da ilha anglo-normanda de Aurigny.