Taylor deixa presidência da Libéria
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domingo, 10 de agosto de 2003
France Presse 
Monróvia O presidente da Libéria, Charles Taylor, fez um comunicado à sua nação, transmitido pelas televisões, reafirmando que irá deixar o cargo. ''Se eu sou o problema eu irei me afastar'', disse. Mas o plano do presidente não é de se afastar para sempre da Libéria. ''Se Deus quiser eu voltarei'', disse.
Taylor conclamou os Estados Unidos a ajudar a reconstrução da Libéria. Chamando o país americano de amigo, o presidente da Libéria lembrou que se os Estados Unidos estão dispostos a gastar vários bilhões de dólares para recuperar o Iraque, para ajudar o seu país os investimentos serão muito menores, no máximo US$ 1 bilhão. O presidente ressaltou ainda que com o país reconstituído e em paz a produção de riqueza poderá ser retomada, aproveitando as minas de ouro e diamante.
Os Estados Unidos vêm pressionando Taylor a renunciar, afirmando que essa medida poderia ajudar a pôr um fim aos 14 anos de conflito que a região enfrenta.
Taylor teria se comprometido a sair do país hoje depois de entregar o poder a seu vice-presidente, Moses Blah.
Desde junho, os confrontos entre as forças de Taylor e rebeldes resultaram na morte de pelo menos 2 mil pessoas na capital, Monrovia, além de deixar centenas de milhares de pessoas sem casa e comida.
O presidente começou uma guerra em 1989 para acabar com uma ditadura brutal, mas a situação acabou em caos social.
Sai obrigado O presidente Charles Taylor afirmou ontem, em seu último discurso à nação, que foi obrigado a se exilar.
''Deixo o poder por minha própria vontade, mas estou sendo forçado ao exílio'', disse Taylor, acrescentando que os Estados Unidos o obrigaram a abandonar a Libéria.
Taylor também pediu ao grupo rebelde Liberianos Unidos pela Reconciliação e a Democracia (Lurd) que ''se submeta ao processo democrático'' para acabar com quase cinco anos de guerra civil.
O porta-voz de Taylor, Vanii Passewe, atacou a imprensa, acusando os jornalistas de destacarem muito o fato do presidente abandonar o cargo. ''A notícia não é a mudança de regime, mas a transição da guerra para a paz'', disse.
Pelo menos três chefes de Estado africanos irão hoje a Monróvia para assistir à transmissão da presidência.


