Em uma região onde abundam as armas de todo o tipo, a operação da Otan na Macedônia parece incerta, inclusive irrisória, a não ser que provoque uma dinâmica política de reconciliação entre as comunidades. Os generais da Otan que dirigem a operação ''Colheita Essencial'' estão conscientes de que o recolhimento do arsenal do Exército de Libertação Nacional (UCK) dos albaneses da Macedônia será imperfeito e que não constituirá, por si só, a solução do conflito. ''Sabemos que estamos em uma região onde podem rearmar-se, onde podem encontrar novas armas. Por isso, é muito mais importante que a confiança e a aplicação do acordo político lhes façam desistir de rearmamento e de reinício do combate'', declarou o general dinamarquês Gunnar Lange, que dirige a operação da Otan na Macedônia.
Muitos analistas, e os próprios militares, assinalaram a debilidade de uma missão limitada a um mês de duração e que consiste em recolher as armas entregues voluntariamente.
O arsenal pode ser escondido nas casas dos povoados ou parcialmente transferido para o vizinho Kosovo. ''Os combatentes macedônios não entregarão mais que algumas armas, não se deve esperar uma grande coleta'', afirmou um pouco desanimado um militar de alta patente da força multinacional da Otan em Kosovo (KFOR). O general Lange, que também dirige as operações de logística da KFOR, informou que durante os dois últimos meses as tropas da Otan interceptaram na fronteira 672 fuzis, 60 armas de apoio, 1.060 armas antitanques, 113 foguetes, 1.499 granadas e minas e mais de 530 pessoas foram detidas.

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