Tanques russos invadem capital chechena
Defensores contra-atacaram com granadas. Presidente Aslan Maskadov diz estar disposto a propor compromisso que atenda interesses da Rússia
France PresseFOGO CERRADOSoldados russos observam helicóptero disparando míssil contra a capital GroznyAgências Internacionais
De Grozny
Tanques e blindados de descolamento de tropas invadiram Grozny pela primeira vez ontem e foram rechaçados em duros combates de rua por defensores chechenos nas proximidades do centro da cidade. Um repórter da Associated Press viu vários tanques e blindados em chamas na Praça Minutka depois que o ataque russo foi contido no início da noite de ontem por rebeldes disparando lançadores de granadas,
Foi a primeira vez que forças blindadas russas tentaram tomar Grozny desde que tropas federais cercaram a capital chechena no mês passado. O ataque indica que comandantes russos estão intensificando seus esforços para capturar a capital chechena.
Os primeiros combates aconteceram enquanto se estuda um encontro entre o presidente independentista Aslan Maskadov e o presidente em exercício da OSCE Knut Vollebaek. A Chechênia está disposta a um importante compromisso que levaria em consideração os interesses da Rússia, uma potência mundial, disse Maskadov em uma entrevista à agência russa Interfax, sem precisar a natureza do compromisso.
O mandatário checheno insistiu em reunir-se com o presidente da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), Knut Vollebaek, que ontem visitou as zonas sob controle russo na Chechênia. Se a Europa está preocupada com a sorte do povo checheno, o presidente da OSCE não deve escutar unicamente a parte que bombardeia civis em aldeias e cidades, mas também o presidente da Chechênia, declarou Maskadov.
A possibilidade de um encontro entre Aslan Maskadov, Knut Vollebaek e o ministro russo para Situações de Emergência, Serguei Choigu, está sendo submetida a estudo, anunciou ontem a agência russa Itar-Tass, citando fontes bem informadas.
Pouco antes, Choigu havia anunciado sua intenção de entrar em contato com Maskadov para estudar a retirada dos civis de Grozny. Segundo o chefe do serviço russo de Migrações, Vladimir Kalamanov, 1,5 mil pessoas abandonaram Grozny desde o último dia 6 através dos corredores de segurança instaurados pelas forças russas. Só restam entre 20 mil e 30 mil civis na capital chechena, estimou Kalamanov.
Em sua entrevista à Interfax, Maskadov assinalou que os civis não podem partir livremente de Grozny devido à continuação dos disparos de artilharia e bombardeios aéreos, que, segundo ele, causam uma centena de mortos diariamente.
Oficiais russos a 10 km de Grozny informaram à AFP que os combates iniciados terça-feira no bairro de Jankala (zona leste) continuaram ontem, pois os chechenos apresentam grande resistência. A situação é muito difícil e os combatentes chechenos estão muito bem preparados, estimou um oficial.





