Carros blindados, aviões militares e tropas fortemente armadas realizaram ontem à tarde um inusitado movimento pelas ruas de Assunção, elevando ainda mais a tensão política no Paraguai e alimentando fortes rumores de golpe.
Ao mesmo tempo, um juiz civil rejeitava um pedido feito por advogados do presidente do país, Juan Carlos Wasmosy, e anunciava a iminente libertação do general da reserva Lino César Oviedo - líder da fracassada tentativa de golpe de 1996 e candidato à presidência pelo partido governista para as eleições marcadas para maio.
De acordo com a Rádio ¥andutí, de Assunção, os blindados cercaram a Primeira Divisão de Infantaria, quartel onde Oviedo está detido, aparentemente para evitar que o juiz Angel Cohene visitasse o general da reserva para informar-lhe de sua libertação.
Preso por ter quebrado a disciplina militar ao fazer críticas a Wasmosy, Oviedo vem denunciando há vários meses a intenção do presidente de desfechar um ‘‘autogolpe’’. A maior parte do comando militar do país não vê com bons olhos a candidatura do general.
No momento em que se iniciou a movimentação de tropas, Wasmosy não estava no país. Ele encerrava ontem uma visita a países da América Central. No exercício do cargo, o vice-presidente Roberto Seifart - partidário de Oviedo - anunciou ter convocado uma reunião com o comando militar para discutir a situação.
Uma testemunha afirmou à Rádio ¥andutí que um capitão do Exército rasgou em pedacinhos uma notificação - possivelmente relacionada à libertação de Oviedo entregue por um funcionário judicial na frente do quartel cercado.
A tensão militar que envolve o general Oviedo começou na manhã de ontem, quando o juiz Cohene anunciou a rejeição do pedido do governo para que não concedesse um habeas-corpus ao militar. Poucos momentos depois do anúncio daquela decisão, um tribunal de apelações removeu Cohene do caso. O juiz, entretanto, insistiu em visitar Oviedo para que ele fosse informado de sua libertação, motivando o cerco militar ao quartel.

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