Taleban rejeita novo governo do Afeganistão
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segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Folhapress 
São Paulo - Militantes do grupo radical Taleban no Afeganistão refutaram nesta segunda um pacto feito por candidatos presidenciais rivais nas eleições, dizendo que o acordo era uma "armação orquestrada" pelos EUA.
O ex-ministro das Finanças Ashraf Ghani foi nomeado presidente eleito no domingo, após ter assinado um acordo para compartilhar o poder com seu oponente, o ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah, encerrando três meses de desentendimento sobre o resultado das eleições.
O porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, rejeitou o pacto do governo de união, dizendo ser uma ação inaceitável orquestrada pelo inimigo. O Taleban tem lutado contra forças estrangeiras lideradas pelo EUA no país. "Instalar Ashraf Ghani e formar um governo de mentira nunca será aceitável para os afegãos", disse Mujahid em um comunicado enviado a jornalistas por e-mail. "Os norte-americanos têm de entender que nosso solo e nossa terra pertencem a nós, e todas as decisões e acordos são feitos por afegãos, não pelo secretário de Estado dos EUA ou por um embaixador", escreveu Mujahid.
No processo eleitoral, os dois candidatos trocaram acusações de fraude no pleito. Abdullah liderou o primeiro turno, mas Ghani acabou, de acordo com resultados preliminares, vencedor no segundo turno, em junho.
Abdullah então alegou fraude nos dados divulgados e ameaçou se retirar do processo eleitoral. Diante da crise, a ONU e o secretário de Estado americano, John Kerry, negociaram para que fosse feita uma auditoria dos cerca de 8 milhões de votos computados.
De acordo com o estipulado no pacto, Ghani será presidente, enquanto o derrotado Abdullah será o chefe executivo, posto criado para acabar com a crise e equivalente ao de primeiro-ministro. Esta será a primeira transição democrática na história política afegã.


