Taleban reitera que não pretende entregar Bin Laden
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de outubro de 2001
Antonio Rodríguez<br> France Presse<br> De Islamabad 
A milícia islâmica taleban reiterou ontem que não entregará Osama bin Laden, mantendo um claro desafio aos Estados Unidos depois de 13 dias de bombardeios, que provocaram a fuga de milhares de refugiados afegãos para o Paquistão.
Apesar dos ataques intensos e da confirmada presença de forças especiais norte-americanas no Afeganistão, o embaixador da milícia islamita em Islamabad, Abdul Salam Zaif, reiterou que não havia mudanças ''no caso de Osama bin Laden'', apontado como principal suspeito dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.
''É uma questão islâmica e uma questão de fé e não vamos mudar isso'', afirmou para cerca de cem jornalistas em sua residência. Precisou que tanto o multimilionário de origem saudita quanto o líder taleban, mulá Mohammad Omar, haviam sobrevivido ''Alhamdulilá (graças a Deus)'' aos bombardeios iniciados dia 7 de outubro.
O embaixador assegurou que ''mais de 500 civis'' morreram nos bombardeios e citou como exemplo sua própria experiência durante a permanência em Kandahar (sul), a fortaleza taleban, onde uma bomba caiu a 20 metros de onde estava, perto de um mercado.
''Houve pelo menos uma vítima'', declarou o intérprete de Zaif. ''Isto demonstra que os ataques são realizados em zonas civis e que os civis são atingidos'', explicou.
Depois de uma série de bombardeios matutinos e de dar a impressão de respeitar uma trégua por ser sexta-feira, dia de orações para os muçulmanos, os aviões norte-americanos bombardearam intensamente Kandahar à noite, informou a rede de TV em língua árabe Al Jazira.


