São Paulo - O Taleban libertou ontem 12 dos 19 missionários sul-coreanos mantidos reféns desde 19 de julho, após um acordo selado na terça-feira entre o grupo e o governo sul-coreano.
As primeiras três reféns libertadas chegaram a Qala-e-Kazi em um único carro, com as cabeças cobertas. Horas mais tarde, quatro mulheres e um homem foram libertados em Shah Baz. Em seguida, um terceiro grupo de três mulheres e um homem também foi solto.
Um porta-voz do Taleban, Qari Mohammad Yousuf, disse esperar que todos os reféns fossem libertados ainda ontem. Os reféns foram foram entregues aos cuidados de membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que ajudaram nas negociações entre o Taleban e o governo sul-coreano.
Em Seul, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Cho Hee-yong, afirmou que as primeiras três reféns libertadas - Ahn Hye-jin, Lee Jung-ran e Han Ji-young - aparentemente passam bem. As identidades dos outro cinco reféns não foram divulgadas de imediato.
Parentes dos reféns expressaram alívio com o anúncio da libertação. ''Eu conversei com meus pais e eles choraram quando souberam que minha irmã havia sido solta'', disse Lee Jung-hoon, irmão de uma das libertadas. ''Espero que os outros sejam soltos em breve.''
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que já foi ministro sul-coreano, elogiou o acordo e pediu que todos os reféns sejam libertados rapidamente. ''Aprecio a notícia de que o governo sul-coreano e os representantes do Taleban concordaram em libertar os 19 reféns'', disse.
Ele disse ter usado ''todos os esforços possíveis'' para obter a libertação do grupo, conversando com líderes do Afeganistão e da região que pudessem ter influência.
Um ministro afegão, no entanto, criticou Seul pelos termos do acordo, que prevê a retirada dos 200 soldados sul-coreanos destacados no país até o final deste ano. ''Alguém tem que dizer que esta libertação, sob essas condições, trará ainda mais dificuldades ao Afeganistão'', disse o ministro Amin Farhang, em uma entrevista a uma rádio alemã. ''Nós tememos que esta decisão abra um precedente. O Taleban continuará a tentar fazer reféns.''
O governo afegão se negou, até o momento, a atender às exigências, dizendo temer que os sequestros passem a se repetir em série no país. Sequestros se tornaram uma tática frequente dos insurgentes que visam desestabilizar o país, visando atacar forças afegãs e estrangeiras que trabalham na reconstrução.

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