Taleban dificulta entrega de Bin Laden
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segunda-feira, 17 de setembro de 2001
Das agências 
Integrantes da delegação de autoridades paquistanesas enviada ontem ao Afeganistão consideram ''mínimas'' as chances de o Taleban entregar Osama bin Laden, apontado pelos Estados Unidos como principal suspeito dos atentados de 11 de setembro em Nova York e Washington. Na primeira, foram destruídas as duas torres do World Trade Center e na segunda, o Pentágono foi atingido.
Depois de oito horas de conversações em Kandahar, cidade onde vivem os principais líderes do grupo que controla o país, os enviados se declararam ''extremamente desencorajados'' pelas condições que teriam sido impostas para a extradição. Apesar do ceticismo das declarações, a delegação decidiu permanecer no Afeganistão e retomar hoje os encontros, o que foi interpretado como sinal de uma possível reviravolta.
O líder supremo do Taleban, mullah Mohamad Omar, teria feito três exigências para entregar o terrorista: que ''evidências convincentes'' de seu envolvimento nos ataques sejam apresentadas ao conselho legislativo do Taleban; que a rendição seja aprovada pela Organização da Conferência Islâmica, entidade que reúne 56 países; que, se Bin Laden for levado a julgamento fora do Afeganistão, pelo menos um de seus juízes seja muçulmano.
Em sua virtual impossibilidade de aceitação pelos americanos, a lista lembra a que foi apresentada por Saddam Hussein para deixar o Kuwait pouco antes da Guerra do Golfo, em 1991.
Depois de receber os representantes do Paquistão, Omar afirmou que tudo dependerá da reunião, hoje, do conselho de clérigos. ''Eles decidirão'', disse o mullah em pronunciamento transmitido pela rádio oficial.
A missão enviada a Kandahar avisou ao Taleban que a entrega de Bin Laden ''em poucos dias'' seria a única forma de evitar um ataque que terá como alvo não apenas o terrorista mas também o grupo, no poder desde 1996.
Pressionado pelos Estados Unidos a levar a mensagem, o Paquistão está em posição difícil para confrontar o vizinho. É um dos únicos três países a reconhecer o governo do Taleban, que tem o apoio de parte expressiva da população paquistanesa.
Ontem, em Washington, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld evitou comentar informações da imprensa segundo as quais a delegação paquistanesa comunicaria ao Afeganistão um ultimato de três dias para entregar o milionário Ossama bin Laden. Em entrevista à ABC, Rumsfeld evitou comentar o tema e advertiu que os Estados Unidos permanecem em ''estado de alerta reforçado''.


