Taleban decide hoje destino de Bin Laden
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quarta-feira, 19 de setembro de 2001
Associated Press <br> Islamabad 
O líder do regime Taleban do Afeganistão, mulá Mohamed Omar, expressou ontem sua disposição de dialogar com o governo americano sobre Osama bin Laden, que Washington considera o principal suspeito dos ataques da semana passada contra o World Trade Center e o Pentágono. Terminado o prazo do ultimato dado pelo Paquistão para que o Taleban entregasse Bin Laden, Omar afirmou que uma decisão sobre o caso deverá sair hoje.
Mas a hipótese de que o Afeganistão entregue o suposto terrorista saudita parece remota após o discurso feito pelo líder Taleban. Depois de o regime Taleban ter acenado, na véspera, com a possibilidade de entregar Bin Laden sob algumas condições específicas a apresentação de provas concretas do envolvimento dele no atentado, a transferência de sua custódia para um país neutro e o reconhecimento pleno do Taleban como poder governante no Afeganistão, entre outras demandas o pronunciamento de Omar reduziu-se à oferta de diálogo com Washington.
No discurso lido para centenas de clérigos da linha-dura reunidos em Cabul para decidir o futuro de Bin Laden e dos mais graduados responsáveis por sua organização terrorista, Al-Qaeda, Omar afirmou: ''Estamos tentando não criar atritos com os Estados Unidos. Temos conversado com governos americanos do passado e do presente e estamos prontos para mais conversas.''
''Apelamos ao governo americano para que faça um exercício completo de paciência'', prosseguiu. ''Queremos receber dos EUA informações completas para encontrar os reais culpados.'' Omar sustentou que nem o Afeganistão nem Bin Laden estão envolvidos nos ataques terroristas que deixaram quase 6 mil mortos e desaparecidos nos EUA. No discurso, Omar reiterou que as medidas de contenção tomadas pelo Taleban em relação a Bin Laden não o deixam na posição de comandar ataques nos EUA. Segundo o regime afegão, o saudita não tem acesso a nenhum meio de comunicação e está formalmente proibido de lançar ataques contra quem quer que seja a partir do território afegão.
''O Afeganistão não tem recursos nem Osama tem forças ou recursos (para realizar os atentados). Ele (Bin Laden) não está em contato com ninguém nem tem autorização para usar o território afegão (para lançar ataques) contra ninguém.''
''Temos informado os EUA e garantimos ao mundo que bloqueamos todos os recursos de Osama e ele não pode ter contato com o mundo exterior'', continou Omar. ''E temos dito aos americanos que o Emirado Islâmico do Afeganistão ou Osama não estão envolvidos nos eventos ocorridos na América. Mas é triste que os americanos não queiram ouvir nossas palavras.''
''Se, depois de tudo isso, os EUA insistirem em usar a força contra nós, e atacar o Afeganistão para destruir nosso emirado islâmico, pediremos ao conselho uma fatwa (sentença islâmica) sobre a questão à luz da sharia (código de lei muçulmano).''
Ao despedir-se, anteontem, da delegação paquistanesa que lhe enviou o ultimato, Omar deu um sinal de qual seria a decisão do Taleban: ''Vocês querem os favores dos EUA. Eu quero apenas os favores de Deus!''


