A milícia governista do Afeganistão, Taleban, ameaçou lançar uma guerra santa contra os Estados Unidos caso forças americanas promovam ataques para puni-la por abrigar o suspeito terrorista Osama bin Laden. Mas surgiram sinais ontem de que a milícia radical poderia considerar um acordo. Centenas de clérigos islâmicos reuniram-se na capital afegã, Cabul, para discutir as condições para uma possível extradição de Bin Laden a um país que não seja os Estados Unidos, afirmou uma fonte do governo paquistanês. As condições, entre elas, o reconhecimento internacional do governo Taleban e a suspensão de sanções da ONU, foram discutidas na segunda-feira em Kandahar, quartel-general da milícia islâmica que domina quase todo o Afeganistão, disse a fonte, que pediu para não ser identificada.
Não foi alcançado um acordo final e a delegação paquistanesa que entregou uma ordem seca para o Taleban extraditar Bin Laden ou sofrerá ataques de uma força liderada pelos Estados Unidos retornou ontem ao Paquistão. Antes de partir de Cabul, a delegação paquistanesa encontrou-se com oito funcionários humanitários detidos que estão sendo julgados sob acusação de professar ilegalmente o cristianismo. O Paquistão pediu ao Taleban para libertar os funcionários dois americanos, quatro alemães e dois australianos.
O Taleban, que afirma que Bin Laden foi erroneamente implicado nos ataques terroristas da semana passada nos Estados Unidos, pediu ao povo do Afeganistão para se preparar para uma jihad, ou guerra santa, contra os Estados Unidos, divulgou ontem a oficial Agência de Notícias Bakhtar.
''Se os Estados Unidos atacarem nossas casas, é necessário para todos os muçulmanos, especialmente os afegãos, promoverem uma guerra santa'', disse o mulá Mohammed Hasan Akhund, o vice-líder do Taleban, segundo a estatal Rádio Shariat.
Desde que assumiram o controle da maior parte do Afeganistão em 1996, o Taleban já declarou guerra santa contra a aliança anti-talebans baseada no norte, a Rússia e o Irã, mas nunca havia feito contra os Estados Unidos. O governo taleban é oficialmente reconhecido por apenas três países: Paquistão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O ministro do Exterior do Taleban, Wakil Ahmed Muttawakil, condenou os atentados horas depois de eles terem ocorrido em Nova York e Washington, mas disse que era impossível que Bin Laden os tivesse organizado. Bin Laden não dispõe de meios para realizar uma operação tão elaborada, garantiu.
Desde então, o líder do Taleban, mulá Mohammed Omar, que se autoproclama líder dos muçulmanos, tem defendido Bin Laden e acusado os Estados Unidos de estarem apontando o dedo para ele porque suas investigações não conseguiram chegar ao verdadeiro culpado. Muitos paquistaneses vivendo na fronteira com o Afeganistão prometeram unir-se à guerra santa contra os Estados Unidos e, possivelmente, contra seu próprio governo, caso haja ataques retaliatórios.

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