Taleban admite controle sobre Bin Laden
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domingo, 30 de setembro de 2001
France Presse<br> De Washington 
O regime Taleban, que controla 90% do território do Afeganistão, afirmou ontem que Osama bin Laden, principal suspeito pelos ataques terroristas do último dia 11 nos Estados Unidos, está sob custódia do governo afegão, em um local ''seguro''. A revelação foi feita pelo embaixador dos talebans, Abdul Salam Zaeef, em Islamabad.
''Osama bin Laden se encontra sob proteção do Emirado Islâmico do Afeganistão e somente dirigentes de segurança sabem onde ele se encontra'', declarou à imprensa o embaixador do regime de Cabul. Há cerca de uma semana os talebans declararam que Bin Laden havia sumido.
Ontem representantes do Congresso americano e da oposição afegã reuniram-se em Roma com o ex-rei do Afeganistão, Mohamed Zaher Shah, para preparar a sucessão dos talebans. Shah está exilado na capital italiana desde 1973.
A delegação afegã compreende autoridades da Aliança do Norte, a oposição armada ao regime Taleban. ''Nosso objetivo é mostrar nosso apoio à unidade do povo afegão. Não se trata de eliminar (Osama) Bin Laden. Trata-se de eliminar a rede inteira do terrorismo no Afeganistão. E o fundamento desta rede são os talebans'', declarou à AFP Al Santoli, conselheiro para a segurança nacional do Congresso americano depois de ter assistido a uma reunião de líderes da oposição afegã.
O ex-rei Mohamed Saher Shah, de 86 anos, falou do seu ''grande desejo'' de voltar a seu país, excluindo desempenhar o mesmo papel governamental. Seu desejo, segundo declarou em entrevista à revista ''Newsweek'', é ''reunir uma Loya Jirgah (grande assembléia de anciãos e notáveis) tão logo seja possível''.
Uma primeira etapa que visa a unidade foi atingida há três dias com a decisão de criar um Conselho Supremo e um Conselho militar que ficaria sob a autoridade do ex-rei. O ex-presidente Burhanuddin Rabbani, afastado do poder pelos talebans em 1996, revelou porém sua hostilidade quanto a um governo de união nacional.
De forma oficial a administração americana não tem intenções de eleger os sucessores dos talebans, mas um dirigente, citado em um documento interno da administração Bush, considerava a ajuda de quem quer um país ''liberado do terrorismo e que viva em paz e preconize um sistema econômico liberal''. No documento, Washington considera que ''os talebans não representam o povo afegão, que jamais elegeu ou preferiu a facção dos talebans''.
O primeiro-ministro britânico Tony Blair, por sua vez, afirmou ontem que viu ''provas incontestáveis dos vínculos'' de Osama bin Laden com os atentados nos Estados Unidos. Estas provas não podem ser reveladas no momento porque provêm dos serviços de inteligência e de outras ''fontes sensíveis'', indicou Blair à cadeia de televisão BBC1.
O chefe da missão especial da Organização das Nações Unidas para o Afeganistão (UNSMA), o espanhol Francesc Vendrell, insistiu junto ao setor ''decente'' dos talebans que ''levantem a cabeça'' e intervenham para forçar a extradição de Osama bin Laden, em entrevista concedida este final de semana à AFP.


