Suspenso estado de sítio no Paraguai
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quarta-feira, 17 de julho de 2002
Alexandre Palmar <br>Equipe da Folha 
Foz do IguaçuO Estado de sítio no Paraguai foi suspenso ontem pelo presidente Luis González Macchi, dois dias após ser decretado em resposta às manifestações generalizadas que exigiam sua renúncia. Caso não fosse suspensa, a medida seria debatida e votada pelo Congresso Nacional.
A oposição considerou o ato uma volta à ditadura, pois restringia os direitos civis e aumentava os poderes das Forças Armadas. Esse foi o segundo ''estadoe emergência'' decretado em 13 anos pós-governo do general Alfredo Stroessner deposto em 1989. O último ocorreu em maio de 2000.
A notícia foi anunciada por rádio e televisão. ''Comunico ao povo paraguaio que, atingido o objetivo da normalização do regime institucional da república, foi decretada a suspensão do estado de exceção'', disse. Macchi voltou atacar seu adversário político, ex-general Lino Cesar Oviedo, asilado no Brasil,
''Manifesto meu sincero pesar pelo fato de que o plano de desestabilização planejado pelo ex-general Oviedo, foragido da Justiça paraguaia, com o apoio de outros setores políticos da oposição, tenha deixado um saldo de algumas vítimas'' (dois mortos, dezenas de feridos e 297 presos), disse.
Ontem, os detidos em Assunção foram liberados. Em Ciudad del Este, 116 homens saíram da polícia para a penitenciária, que estava com 497 internos, embora tenha capacidade para 200 detentos. A penitenciária feminina recebeu três mulheres.
O movimento reivindicou a saída de Luis González Macchi (Partido Colorado), o que daria poder ao vice-presidente, Júlio César ''Yoyito'' Franco do Partido Liberal Radical Autêntico e aliado de Oviedo de convocar eleições e restaurar os direitos políticos de Oviedo. O ex-general não volta ao Paraguai porque foi condenado a 10 anos de prisão por uma tentativa de golpe em 1996.
Especialistas acreditam que novas manifestações podem acontecer. Para o analista José Nicolás Morinigo, professor da Universidade Católica de Assunção, entretanto, ''Oviedo apostava numa forte mobilização popular, mas o que se viu foram manifestações isoladas, dentro de suas bases, sem a participação da classe média'', diz ele.
Brasil ameaça OviedoEm Brasília anunciou-se que as autoridades do governo fizeram uma advertência ao ex-general paraguaio Lino Oviedo, ameaçando-o de expulsão, se realizar em território nacional qualquer atividade política.


