As autoridades israelenses suspenderam ontem o bloqueio militar de Belém, na Cisjordânia, após enfrentar uma pressão reforçada tanto por parte dos habitantes dos territórios palestinos como do exterior. ‘‘O ministro da Defesa e o chefe de Estado-Maior aprovaram a suspensão do bloqueio para as 16 horas locais’’, declarou um porta-voz do Exército.
Segundo testemunhas, pouco depois da ordem de suspensão do bloqueio, entraram na cidade dezenas de táxis repletos de palestinos, pela primeira vez desde que começou o bloqueio logo após o duplo atentado suicida de 30 de julho em Jerusalém, que matou 16 pessoas, entre eles os dois terroristas responsáveis pela explosão.
O bloqueio continua em vigor, no entanto, entre os territórios autônomos e Israel, o que obrigou cerca de cem mil trabalhadores palestinos a ficar em suas casas.
Por causa das manifestações e dos protestos internacionais, Israel havia autorizado pela manhã a entrada de ônibus de turistas nesta cidade bíblica, local do nascimento de Jesus Cristo segundo o Evangelho.
Por outro lado, estudantes bloqueados há quase um mês na cidade autônoma haviam sido autorizados a voltar à Faixa de Gaza.
‘‘Estamos dispostos a diminuir o bloqueio e permitiremos a passagem de peregrinos, mas não suspenderemos o bloqueio até que a Autoridade Palestina não tiver satisfeito nossas demandas de segurança’’, havia declarado pela manhã o ministro israelense da Defesa Yitzhak Mordehai.
O representante militar israelense encarregado do setor de Belém havia qualificado a situação de ‘‘tão tensa, que o menor incidente poderia gerar um confronto’’ entre soldados israelenses e policiais palestinos.
Terça-feira, treze palestinos, entre eles um policial, ficaram feridos durante confrontos com o exército israelense.
Durante uma manifestação ontem de manhã em uma barreira do exército, uma dezena de manifestantes da Autoridade Palestina em Belém apertaram as mãos, simbolicamente, de cerca de vinte autoridades palestinas de Jerusalém, após ter passado entre os militantes israelenses.
Na segunda-feira passada em Tóquio, o primeiro-ministro japonês Ryutaro Hashimoto instou firmemente a seu colega israelense, Benjamin Netanyahu, a realizar ‘‘gestos positivos’’ em relação aos palestinos e os árabes e principalmente suspender o bloqueio dos territórios palestinos.

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