Uma pessoa, de origem egípcia, ligada ao multimilionário Osama bin Laden, principal acusado pelos ataques terroristas nos Estados Unidos, teria fugido do Paraguai nos últimos dias com destino ao Brasil, segundo informou ontem o jornal ''ABC Color'', de Assunção. O egípcio seria um sacerdote que morava em Encarnación, na fronteira com a Argentina. Até ontem à tarde, pelo menos 16 pessoas foram, e estão presas desde sexta-feira, na fronteira do Paraguai com o Brasil, suspeitas de portarem documentos falsos e de ligações com grupos extremistas islâmicos.
Três homens, de origem árabe, estão sendo considerados elos de ligação entre as comunidades locais e os grupos Hamas e Hezbollah, mas a confirmação só será feita após o interrogatório que está sendo feito em Assunção pelo procurador-geral de Justiça paraguaio, Marcos Alcaraz.
Conforme o ''ABC Color'', entre as pessoas procuradas no Paraguai estava o sacerdote egípcio, mas as investigações indicaram que ele mudou-se para o Brasil, mais precisamente em São Paulo. Até ontem à tarde, a Polícia Federal brasileira não havia sido informada sobre o egípcio.
A maior parte das prisões ocorreu porque os árabes estavam supostamente com documentos de migração falsos, mas a polícia antiterrorismo paraguaia já teria também indícios de que alguns são ligados a grupos extremistas libaneses. Um deles seriam papéis mostrando altas remessas de dinheiro para o Oriente Médio, uma informação que está sendo checada pelas autoridades locais para saber o destino final dos recursos, e outro seriam fotos mostrando presos com uniformes de grupos extremistas. A PF ainda aguarda informações dos colegas paraguaios para iniciar as investigações no Brasil.
Três pessoas detidas, de origem libanesa, estariam com passaportes falsos e um, pelo menos, teria declarado três nacionalidades diferentes às autoridades paraguaias - libanesa, israelense e jordaniana - e passou a ser considerado um dos principais suspeitos de ser líder de uma célula regional do grupo Hamas. Autoridades do país admitem que as prisões podem continuar nos próximos dias.
Em Ciudad del Este e Encarnación, onde ocorreram as prisões e que têm comunidades árabes numerosas, o clima é de revolta por causa das prisões. Uma delas seria do comerciante de Bangladesh, Abdul Bari Mridha, que teria sido confundido com Adel Abdul Megid Abdel Bary, que está sendo procurado pela Polícia Criminalística Internacional (Interpol) em vários países. Abdul Mridha foi preso na sexta-feira, em Ciudad del Este.
Outras três pessoas - a mulher Souzan Ali Kasttmar, Wissan Attoui Attoui e um outro cujo nome é desconhecido - teriam fugido para o Brasil e são igualmente procurados pela Interpol.

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