São Paulo - O único suspeito capturado com vida após os atentados terroristas de novembro de 2008, na cidade indiana de Mumbai, desmentiu ontem sua confissão e alegou ter sido torturado pela polícia. O paquistanês Mohammad Ajmal Kasab compareceu à corte onde enfrenta 86 acusações, incluindo assassinato e incitação à guerra contra a Índia, pelos ataques que deixaram 166 mortos em 2008.
''Ele disse à corte que foi preso alguns dias antes dos ataques e mantido na prisão'', disse o promotor público Ujjwal Nikam. Kasab está entre as 38 pessoas acusadas pelos ataques na Índia e, se condenado, pode enfrentar pena de morte.
Em 20 de julho, Kasab confessou sua participação no ataque e pediu para ser enforcado, método de aplicação da pena de morte na Índia. Ele contou como atirou diversas vezes na multidão e descreveu com detalhes uma rede de acampamentos de treinamento no Paquistão, revelando o nome de quatro homens que trabalhavam com ele.
O atentado complicou as difíceis relações entre as duas potências nucleares do sul da Ásia e paralisou o processo de diálogo iniciado pelos dois países em 2004.
Na tarde de 26 de novembro de 2008, dez homens fortemente armados e que chegaram a Mumbai de barco, atacaram dois hotéis de luxo, um restaurante, um centro cultural judaico e a principal estação ferroviária da cidade. Durante 60 horas de ataque, acompanhadas pela imprensa de todo o mundo, o país ficou refém dos terroristas. O governo indiano acusou o vizinho e rival Paquistão pelo atentado.

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