São Paulo – A polícia prendeu ontem na Carolina do Norte o jovem branco suspeito de matar a tiros nove pessoas na noite da última quarta-feira em uma histórica igreja da comunidade negra na Carolina do Sul (EUA), disse o prefeito de Charleston, Joseph P. Riley. Previamente, a polícia havia divulgado imagens de uma câmera de segurança mostrando que o suspeito era um homem branco e sem barba. Identificado como Dylann Storm Roof, de 21 anos, o suspeito aparece nas imagens vestindo um moletom cinza, calça jeans e botas.
Para o chefe da polícia de Charleston, Gregory Mullen, o ataque foi "um crime de ódio", em referência a um crime racial. Segundo testemunhas, antes de lançar o ataque, o atirador se levantou e disse que estava ali para "matar pessoas negras". O ato de violência aconteceu às 21h locais (22h em Brasília) na Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel, descrita em seu site como a mais antiga igreja metodista episcopal africana do sul dos EUA. A igreja foi fundada em 1816, quando negros que faziam parte da Igreja Metodista Episcopal de Charleston formaram sua própria congregação após desentendimentos sobre cemitérios.
O suspeito ficou quase uma hora no encontro em que era realizada uma prece em grupo antes de matar seis mulheres e três homens, disse Mullen. De acordo com o legislador estadual Todd Rutherford, entre os mortos está o pastor da igreja, Clementa Pinckney, que também fazia parte do Legislativo estadual. Casado e com dois filhos, Pinckney, 41, foi eleito para a Câmara dos Representantes aos 23 anos, tornando-se o mais jovem membro da Casa na época.

OBAMA

O presidente dos EUA, Barack Obama, expressou ontem "raiva" em relação ao ataque "sem sentido" à igreja. "Dizer que nossos pensamentos e preces estão com eles [as vítimas] e suas famílias e suas comunidades não é o suficiente para expressar a mágoa, a tristeza e a raiva que sentimos", disse. Para Obama, é particularmente desolador que o ataque tenha acontecido em um local de culto. Segundo o presidente, os americanos precisam confrontar o fato de que incidentes de violência com arma não acontecem em outros países desenvolvidos. "Agora é o momento de vivenciar o luto e o processo de cura, mas sejamos claros: em algum momento nós, como país, teremos de encarar o fato de que esse tipo de violência em massa não acontece em outros países desenvolvidos", disse.
Depois de um atirador atacar em 2012 uma escola em Newtown, Connecticut, o presidente lançou uma agressiva iniciativa pelo controle de armas, mas seus esforços acabaram fracassando no Congresso. A Constituição dos EUA protege o direito de portar armas, mas há divergências políticas sobre a abrangência desses direitos.

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