As autoridades temem o aparecimento de um surto epidêmico em torno de um depósito de lixo na periferia de Manila, onde um desabamento soterrou anteontem uma favela, provocando a morte de 116 pessoas, segundo um balanço de ontem ao meio-dia.
Os grupos de socorro não têm esperança de localizar sobreviventes. Entretanto, continuava a busca de outros cadáveres em meio a um odor insuportável, ao mesmo tempo em que se advertia contra o risco de epidemias provocadas pela putrefação dos corpos.
‘‘O mau cheiro é muito nocivo, inclusive o fato de abrir um saco para identificar um cadáver representa um risco potencial’’, declarou Kit Villaranda, da Cruz Vermelha, informando que tinham sido administrados medicamentos e vacinas aos membros dos grupos de socorro e habitantes.
Três dias depois do desabamento, cerca de 500 militares e membros dos grupos de socorro, ajudados por moradores da favela, continuavam cavando e procurando novas vítimas em meio à chuva, que não parava de cair.
Devido a chuvas torrenciais provocadas pela passagem de dois furacões na semana passada, uma montanha de lixo de uns 15 metros de altura desabou sobre os 300 barracos onde viviam as famílias que sobreviviam da cata de lixo.
‘‘Cento e dezesseis corpos foram retirados até o meio-dia de hoje (ontem- hora local) e achamos que outros podem ser encontrados antes do final do dia’’, declarou a responsável pela Cruz Vermelha.
A dirigente da Cruz Vermelha adiantou que muitos dos mortos não podem ser identificados. As autoridades reconheceram não ter nenhum elemento que lhes permita dar uma estimativa do número de pessoas soterradas pelo lixo.

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