São Paulo - O surfista paraibano Misael Mendonça Cabral, 29 anos, preso no Aeroporto de Miami depois de um mal-entendido sobre uma bomba de vácuo na mala, vai declarar-se culpado para poder ser deportado mais rapidamente para o Brasil.
É essa opção ou pagar uma fiança de US$ 15 mil para poder responder ao processo em prisão domiciliar, conforme foi determinado pela Justiça de Imigração dos Estados Unidos. ''Recomendei que ele se declare culpado, mesmo sem ser, e volte logo para casa'', disse a mãe, Ângela Mendonça Cabral.
Já o surfista Daniel Correia, 26, que foi preso com Misael, trocou ontem a cadeia por prisão domiciliar, depois de pagar fiança de US$ 5 mil, segundo o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Edísio Souto. A diferença nos valores das fianças se justifica pelo fato de a mãe de Daniel, Hilda, ter cidadania americana e residência fixa na Flórida.
Foi mais um capítulo do caso que começou no dia 26, quando, ao embarcar para o Brasil, Misael e Daniel mencionaram a existência de um aparelho nas malas. ''Cuidado que aí tem uma bomba de sucção'', teria dito Cabral a fiscais da bagagem, referindo-se, na verdade, a um artefato destinado à fabricação de pranchas de surfe. Correia brincou: ''Pode ser que a mala estoure.''
Acabaram detidos por fornecer informação falsa em tema de segurança. No dia 10, um juiz decidiu que os dois responderiam ao processo sobre a bomba em prisão domiciliar. Mas, na saída do tribunal, foram novamente detidos por outro motivo: estavam em situação ilegal no país. Passaram então a responder a dois processos.
Souto prometeu ontem procurar o Conselho da OAB para sugerir uma visita ao Itamaraty e chamar a atenção sobre as diferenças entre os tratamentos oferecidos a brasileiros nos Estados Unidos e a americanos no Brasil. ''Eu acho esse tratamento dado ao Misael e ao Daniel absolutamente exagerado'', disse. ''E faço um paralelo deste caso com o do piloto americano que fez gestos obscenos a nossas autoridades. Ele não foi para cadeia e depois de 24 horas pagou uma fiança de R$ 30 mil, ou US$ 10 mil o que para uma companhia aérea não é nada , e foi embora. Já os brasileiros estão há quase um mês presos.''

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