Surfista tem pouca chance de não ser executado na Indonésia
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sábado, 12 de fevereiro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O surfista paranaense Rodrigo Gularte, de 32 anos, tem poucas chances de escapar da execução na Indonésia, onde foi condenado à morte pelo crime de tráfico de drogas. Gularte foi preso em julho no ano passado, no Aeroporto de Jacarta, quando tentava entrar no País com seis quilos de cocaína escondidos na prancha de surfe. De acordo com o jurista e especialista em direito internacional, Friedmann Wendpap, a Indonésia é um país muçulmano, com regras rígidas de caráter religioso. ''A maior possibilidade é a execução da pena'', analisou ele.
Entretanto, se forem esgotados todos os recursos jurídicos para conseguir evitar a pena de morte, ainda restará uma alternativa: a clemência do Poder Executivo da Indonésia. O pedido de clemência teria que ser feito por Rodrigo, pelos irmãos, pelos pais e pelo próprio governo federal. ''Quando se concede a clemência, em poucos casos, normalmente se faz uma troca da pena de morte por prisão perpétua'', declarou Wendpap.
Rodrigo está em cela individual e tem um defensor público do governo indonésio designado para acompanhar o caso. O advogado da família, Cesar Augusto Gularte de Carvalho, pretende interferir para pedir que o julgamento do paranaense seja feito no Brasil. Na Indonésia, a lei pune os traficantes com a morte: os condenados são executados por um pelotão de fuzilamento.
O Itamaraty informou ontem que está acompanhando o caso para garantir a defesa de Gularte e evitar que ele sofra maus tratos na prisão. Até se esgotarem as alternativas judiciais, o governo brasileiro não tentará interferir na decisão que resultou em pena de morte. O processo ainda poderá passar por duas instâncias judiciais.
A família do surfista paranaense Rodrigo Gularte, de 32 anos, não quer dar entrevistas. Pelo menos, por enquanto. Os telefones foram mudados e não estão mais sendo divulgados para evitar a pressão da imprensa. A mãe, Clarisse Muxfeldt Gularte, não tem mais atendido na empresa de publicidade e propaganda que mantém. Oficialmente, ela está viajando e somente vai se pronunciar para fazer um apelo público à imprensa na semana que vem.
O outro filho, Cassio Gularte, também não quer falar. Bastante abatido, ele foi procurado ontem pela reportagem da Folha. ''Eu não tenho nada a declarar'', repetia.


