A Suprema Corte chilena começou ontem a decidir se cassa ou não a imunidade parlamentar do ex-ditador e senador vitalício Augusto Pinochet, rejeitando uma solicitação apresentada por seus advogados de que o general fosse antes submetido a exames médicos; ao mesmo tempo, três ex-agentes do serviço de Inteligência de seu regime eram condenados à prisão perpétua pelo assassinato do carpinteiro Juan Alegría Mondaca, ocorrido em 1983.
Embora a defesa tenha afirmado que Pinochet deveria ser submetido aos testes devido à deterioração de seu estado de sáude, a decisão da Corte, que pareceu uma derrota inicial para os advogados do ex-ditador, foi encarada com calma pelo advogado-chefe de sua defesa. ‘‘A Corte tem toda a autoridade para ordenar os exames médicos do general Pinochet a qualquer momento, inclusive antes de dar seu veredicto’’, afirmou o advogado Ricardo Rivadeneira.
Enquanto a Suprema Corte dava início às audiências sobre o caso Pinochet, a Corte de Apelações, por sua vez, condenava os ex-majores do Exército Alvaro Corbalán Castilla e Carlos Herrera e o agente civil Armando Cabrera Aguilar por integrar um grupo formado com o objetivo de matar o carpinteiro Alegría Mondaca.
ambém foi sentenciado a 10 anos de prisão o civil Osvaldo Pincheti – que hipnotizou Alegría para que escrevesse uma carta na qual se declarava culpado do assassinato do sindicalista Tucapel Jiménez.
Jiménez foi morto em fevereiro de 1982, quando organizava a primeira greve nacional contra Pinochet.
Numa simulação de suicídio, o cadáver de Alegría foi encontrado em Valparaiso, a 130 km de Santiago, com os pulsos cortados e a declaração de que tinha matado Jiménez; para reforçar a versão oficial, ao lado do corpo de Alegría estava a cédula de identidade do líder sindical. Investigações posteriores, porém, levaram à constatação de que os cortes eram tão profundos que só poderiam ter sido feitos por terceiros.
Corbalán e Herrera também estão sendo processados pela morte de Jiménez, morto com cinco tiros no rosto e três cortes no pescoço. Corbalán foi um alto dirigente da Central Nacional de Informações, o serviço de Inteligência do Exército, e responde ainda um processo pelo assassinato de 12 integrantes da guerrilha esquerdista Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR).

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