Suprema Corte começa a decidir o futuro de Pinochet
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quarta-feira, 19 de julho de 2000
Associated Press De Santiago 
A Suprema Corte chilena começou ontem a decidir se cassa ou não a imunidade parlamentar do ex-ditador e senador vitalício Augusto Pinochet, rejeitando uma solicitação apresentada por seus advogados de que o general fosse antes submetido a exames médicos; ao mesmo tempo, três ex-agentes do serviço de Inteligência de seu regime eram condenados à prisão perpétua pelo assassinato do carpinteiro Juan Alegría Mondaca, ocorrido em 1983.
Embora a defesa tenha afirmado que Pinochet deveria ser submetido aos testes devido à deterioração de seu estado de sáude, a decisão da Corte, que pareceu uma derrota inicial para os advogados do ex-ditador, foi encarada com calma pelo advogado-chefe de sua defesa. A Corte tem toda a autoridade para ordenar os exames médicos do general Pinochet a qualquer momento, inclusive antes de dar seu veredicto, afirmou o advogado Ricardo Rivadeneira.
Enquanto a Suprema Corte dava início às audiências sobre o caso Pinochet, a Corte de Apelações, por sua vez, condenava os ex-majores do Exército Alvaro Corbalán Castilla e Carlos Herrera e o agente civil Armando Cabrera Aguilar por integrar um grupo formado com o objetivo de matar o carpinteiro Alegría Mondaca.
ambém foi sentenciado a 10 anos de prisão o civil Osvaldo Pincheti que hipnotizou Alegría para que escrevesse uma carta na qual se declarava culpado do assassinato do sindicalista Tucapel Jiménez.
Jiménez foi morto em fevereiro de 1982, quando organizava a primeira greve nacional contra Pinochet.
Numa simulação de suicídio, o cadáver de Alegría foi encontrado em Valparaiso, a 130 km de Santiago, com os pulsos cortados e a declaração de que tinha matado Jiménez; para reforçar a versão oficial, ao lado do corpo de Alegría estava a cédula de identidade do líder sindical. Investigações posteriores, porém, levaram à constatação de que os cortes eram tão profundos que só poderiam ter sido feitos por terceiros.
Corbalán e Herrera também estão sendo processados pela morte de Jiménez, morto com cinco tiros no rosto e três cortes no pescoço. Corbalán foi um alto dirigente da Central Nacional de Informações, o serviço de Inteligência do Exército, e responde ainda um processo pelo assassinato de 12 integrantes da guerrilha esquerdista Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR).


