Supostos terroristas são acusados
Os dois americanos detidos pelo FBI na quarta-feira sob suspeita de possuir o agente bacteriológico anthrax e tentar usá-lo como arma biológica vão ficar presos até segunda-feira, aguardando os resultados de exames de laboratório sobre os materiais apreendidos com eles e a investigação de especialistas militares. Eles foram acusados formalmente ontem e serão ouvidos em audiência hoje, em Las Vegas. Na quarta-feira o FBI informou que eles estariam planejando um ataque no metrô de Nova York.
Larry Wayne Harris, de 46 anos, é dono de laboratórios nos EUA e na Alemanha e William Job Leavitt, de 44 anos, atua como microbiologista. No inquérito consta que eles ofereceram US$ 20 milhões a um pesquisador médico para comprar equipamento avançado com o qual poderiam testar o anthrax, mostrando-lhe recipientes que conteriam a bactéria. O advogado de Leavitt afirma que seu cliente queria adquirir o equipamento para provar a eficácia de suas pesquisas sobre uma vacina contra a doença.
O bacillus anthracis é uma bactéria que causa a doença anthrax. Ela costuma infectar o gado e pode permanecer no solo por muitos anos. Os seres humanos podem ser contaminados ao manusear produtos de origem animal infectados ou inalar os germes deles. A pessoa afetada tem sintomas parecidos com os da gripe, os quais evoluem para problemas respiratórios e podem levar a morte em um ou dois dias.
Harris é membro da organização de extrema-direita Nação Ariana - que preconiza a supremacia da raça branca - e está em liberdade condicional desde o ano passado por ter comprado ilegalmente vírus da peste bubônica pelo correio. Ele possuía germes de anthrax havia um ano, segundo declarou em uma entrevista para um documentário de TV que não chegou a ir ao ar. Na ocasião Harris disse ter obtido a bactéria fazendo pesquisas em um terreno onde havia 20 anos eram enterrados esqueletos de animais mortos pelo anthrax.
Um outro dado do currículo de Harris é comprometedor para o governo americano num momento em que ameaça atacar o Iraque por não permitir a inspeção de supostos arsenais de armas químicas e biológicas: em 1996 ele afirmou ter trabalhado para a CIA, de 1985 a 1990, treinando cientistas iraquianos no uso de armas químicas e biológicas, conforme publicou ontem o jornal The Cleveland Plain Dealer. (Reuter)





