São Paulo - A Promotoria de Paris confirmou ontem que o homem morto em uma megaoperação policial na quarta é o suposto mentor dos atentados terroristas que mataram 129 pessoas na capital francesa na semana passada. Análises de digitais indicaram que os restos mortais encontrados após a operação são do extremista Abdelhamid Abaaoud, 27 anos, belga de ascendência marroquina.
Ele é ligado à milícia terrorista Estado Islâmico (EI), que reivindicou a autoria dos ataques em Paris. Foi criado com seis irmãos em Bruxelas. Seus pais têm uma loja de roupas na rua mais comercial do local. Segundo uma irmã, ele não era religioso antes de 2014 e tirava boas notas na escola. Autoridades afirmam que ele se envolveu em um ataque em 2010 com Brahim Abdeslam, um dos homens-bomba que se suicidou em Paris, e seu histórico policial contém outros delitos na capital belga entre 2010 e 2011.
Segundo o ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, suspeita-se que Abaaoud esteve envolvido em quatro de seis ataques frustrados pelas autoridades francesas desde a primavera. Imediatamente após os ataques, pensava-se que ele estava na Síria, mas registros de ligações telefônicas levaram a seu esconderijo em um apartamento em Saint-Denis, subúrbio no norte de Paris.
As autoridades francesas afirmam ter evitado mais um atentado ao desmantelar anteontem a célula terrorista em Saint-Denis. A operação deixou dois mortos e oito presos. Morreram na ação Abaaoud, que acredita-se ter sido baleado e atingido por uma granada, e uma mulher-bomba que se explodiu durante o confronto com policiais. A Promotoria a identificou como Hasna Aitboulahcen, 26, prima de Abaaoud. Continua foragido Salah Abdeslam, um francês de 26 anos nascido na Bélgica. Ele alugou três carros usados nos ataques.
O anúncio da morte de Abaaoud ocorreu pouco depois de o premiê Manuel Valls afirmar que a França enfrenta "risco de ataques com armas químicas ou biológicas". Também ontem, a polícia belga lançou seis operações de busca por suspeitos de envolvimento com o terrorismo.

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