Superstição provoca mais violência contra crianças
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domingo, 09 de dezembro de 2001
Anthony Stoppard<br>IPS - De Joanesburgo 
A violação de bebês e crianças atinge cifras alarmantes na África do Sul, onde existe a crença de que manter relações sexuais com uma menor de idade ou dos ministérios de Justiça, Segurança, Serviços Correcionais, Educação, Sáude, a Direção Nacional de Promotoria e a Agência de Direitos da Criança da Presidência se reuniram esta semana para discutir formas de proteger a infância.
''Precisamos deter, com urgência, a decadência moral de nossa sociedade. É preciso revisar as políticas e a legislação de menores e desenvolver um programa de proteção à infância'', disse Angela Bester, do Departamento de Serviços Sociais. ''Os ministros vão estabelecer um plano para fortalecer a capacidade do governo e da sociedade para fazer frente às violações'', acrescentou.
Várias organizações de defesa dos direitos da infância assinalaram que o aumento dos casos de abuso sexual infantil se deve à crença de que o HIV e a própria enfermidade podem curar-se por meio de relações sexuais com uma virgem. O ex-presidente Nelson Mandela fez um apelo a favor de uma campanha para erradicar o mito segundo o qual o sexo de um bebê, menina ou virgem, pode curar a aids.
A polícia registrou 36.211 casos de ataque sexual e 21.438 de violação ou tentativa de violação no ano passado. Segundo alguns especialistas, mais da metade dos casos de abuso sexual infantil não é denunciada às autoridades. A violação de um bebê do sexo feminino de nove meses por um bando de seis homens, cometida na localidade de Louisval, estarreceu a opinião pública e renovou a preocupação das autoridades. Os meios de comunicação, para proteger a criança, a identificaram com o nome de Tshepang, que significa ''manter a esperança'' na língua setswana.
Organizações que trabalham pelos direitos da infância acusaram o sistema judicial sul-africano de não proteger os menores. A Liga de Mulheres do governante Congresso Nacional Africano e o Foro de Mulheres Parlamentares exigiram cadeia perpétua como pena mínima para homens enfermos de aids que violem meninas e bebês.


