Superado total de mísseis usado na guerra do Golfo
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de dezembro de 1998
Reuters 
Os EUA e a Grã-Bretanha lançaram ontem a terceira onda de bombardeios aéreos contra o Iraque, superaram o total de mísseis disparados na Guerra do Golfo e ampliaram a lista de alvos - incluindo, além de objetivos militares, transmissores de rádio e televisão e instalações petrolíferas.
Apesar disso, o presidente Saddam Hussein manteve a posição desafiadora, dizendo que não se ajoelhará diante dos seguidores de satã e não fará nenhuma concessão para o fim dos ataques. O governo iraquiano não informou se houve novas mortes além das 25 noticiadas na véspera.
Em seu primeiro pronunciamento pela TV desde o início, quarta-feira, da Operação Raposa do Deserto, Saddam conclamou a população a resistir.
Vocês, grandes iraquianos, ergueram bem alto a bandeira iraquiana e provaram novamente que são heróis, afirmou. Mantenham a resistência e, pela vontade de Deus, vocês serão vitoriosos, pois representam a justiça e todas as grandes qualidades contra a injustiça, acrescentou, vestido com seu uniforme de marechal-de-campo. Não faremos concessões nem nos ajoelharemos diante da injustiça - não deixaremos o mal triunfar sobre a virtude.
A retórica de Saddam contrastou com a leve resistência aos bombardeios. Os EUA e a Grã-Bretanha negaram que o Iraque tenha derrubado 77 mísseis e informaram que não sofreram nenhuma baixa e nenhum de seus aviões foi derrubado.
Os EUA sozinhos já lançaram mais de 300 mísseis de cruzeiro na atual ofensiva contra o Iraque, superando os 289 disparados em toda a Guerra do Golfo, no início de 1991.
O contra-almirante americano Scott Fry mostrou fotos de danos numa instalação de mísseis, numa antena de rádio e em várias bases da Guarda Republicana. Ele disse que foram atacadas 18 instalações de comando e controle militar, 19 armas de destruição em massa, 8 alvos da Guarda Republicana (em Bagdá e Tikrit, cidade natal de Saddam) e 5 bases aéreas (principalmente as que possuem helicópteros que podem ser usados para atacar rebeldes curdos), entre outros objetivos.


