Paulo Sotero
Agência Estado
De Washington
Horas depois de o ‘‘New York Times’’ ter revelado que o FBI está investigando informações ‘‘críveis’’ sobre a participação de pessoas próximas do presidente Boris Yeltsin, entre as quais um genro, em lavagem de dinheiro de corrupção por meio do Bank of New York, o secretário do Tesouro, Lawrence Summers, afirmou ontem no Congresso que os Estados Unidos precisam continuar a apoiar a Rússia se quiser evitar o risco de ser responsabilizado pelo fracasso do país.
‘‘Pôr a Rússia em quarentena, contê-la ou abandoná-la como excessivamente corrupta serviria mal nosso interesse nacional’’, afirmou Summers na primeira de uma série de audiências públicas sobre o envolvimento do banco americano nos alegados esquemas de malversação de fundos públicos em Moscou.
Agir dessa maneira, ‘‘limitaria nossa habilidade de apoiar a estabilidade financeira e econômica da Rússia, de promover a democracia e aumentaria os riscos de os EUA e do Ocidente virarem bodes expiatórios do fracasso da Rússia’’, afirmou.
Numa ação preventiva, ontem, o governo suíço congelou US$ 16,8 milhões em contas suspeitas de ligação com o caso. De acordo com uma fonte oficial citada pelo ‘‘New York Times’’, o FBI está examinando o envolvimento de Leonid Dyachenko, o marido da filha mais nova do líder russo, Tatyana, e de Pavel P. Borodin, um assessor próximo de Yeltsin num esquema de corrupção pelo qual até US$ 10 bilhões de recursos oficiais teriam sido desviados e ‘‘legalizados’’ através do Bank of New York. Pelo menos uma das contas congeladas pelo governo suíço estava em nome de Borodin.
O porta-voz de Yeltsin, Dmitri Yakushkin, reiterou ontem uma nota que divulgou há dias negando qualquer participação do presidente ou de sua família em corrupção. Mas Yakushkin esclareceu que o desmentido cobria apenas a família imediata do presidente russo, e não o genro. Ao mesmo tempo, ele desmentiu rumores de que Yeltsin estaria prestes a renunciar.

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