O cerco judicial fechou-se ainda mais ontem em torno do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, com um pedido de extradição por parte da Suíça, que vem juntar-se à série de pedidos e procedimentos na Espanha, Grã-Bretanha, Suécia e França.
Na Suíça, um juiz solicitou ‘‘a detenção provisória de Augusto Pinochet visando sua extradição’’, como consequência de uma ação movida por Paulina Jaccard, viúva de um desaparecido em Buenos Aires em 1977, com dupla nacionalidade, chilena e suíça.
A solicitação do juiz de instrução foi dirigida à Polícia Federal, ‘‘a quem corresponde, em princípio, decidir se considera viável transmitir o pedido às autoridades britânicas’’. A Justiça de Genebra apresentou em particular os crimes de assassinato e sequestro contra o general chileno.
Na Suécia, três exilados chilenos apresentaram uma ação na polícia contra o ex-ditador pelo assassinato ou sequestro de membros de suas famílias. ‘‘Temos o direito de exigir que Pinochet seja extraditado à Suécia para responder a estas acusações’’, declarou o advogado.
Na França, o advogado parisiense das famílias de quatro franco-chilenos ‘‘desaparecidos’’ durante a ditadura no Chile dirigida pelo general Pinochet, anunciou que entraria com uma ação contra ele.
Além disso, três organizações de defesa dos Direitos Humanos - Anistia Internacional, Redress Trust, e a Fundação Médica para as Vítimas da Tortura - solicitaram às autoridades britânicas que apliquem no caso de Pinochet a lei de 1988, que permite a Londres perseguir judicialmente qualquer pessoa acusada de torturas ou cumplicidade nelas, ‘‘o que inclui os crimes realizados no exterior’’.
Acusam em particular ao general de ser ‘‘cúmplice’’ do desaparecimento e tortura de William Beausire. Este jovem britânico de 27 anos, que trabalhava no Chile, foi entregue pelos argentinos à polícia secreta de Pinochet em 1974, enquanto tentava fugir do país. Nunca mais apareceu. A polícia britânica decidiu abrir uma investigação.

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