Associated Press
De Berlim
O chefe da seção de orçamento e finanças da bancada da União Democrata Cristã (CDU), Wolfang Huellen, de 49 anos, suicidou-se nesta quinta-feira, tornando ainda mais dramático o escândalo de violação da lei de financiamento público dos partidos – cujo principal envolvido é o ex-chanceler e pai da unificação alemã, Helmut Kohl.
A notícia, divulgada pelo líder da bancada democrata-cristã, Joachim Hoertes, provocou consternação no Parlamento alemão, que acabara de ouvir pedido de desculpas do presidente da CDU, Wolfang Schaeuble, por sua implicação no caso das contas secretas.
‘‘As causas desse trágico acontecimento têm origem em motivos pessoais’’, ressaltou. ‘‘Afastamos totalmente qualquer relação do suicídio de Huellen com os atuais problemas enfrentados pela CDU.’’
Contudo, Hullen tinha profundo conhecimento das ‘‘manobras financeiras’’ atribuídas a Kohl nos 25 anos em que dirigiu a CDU e nos 16 em que chefiou o governo alemão.
Auditores detectaram até agora um movimento de pelo menos US$ 10 milhões nas contas secretas do partido no exterior, abertas sob autorização de Kohl, para receber ‘‘doações políticas’’ de pessoas ou empresas sob condição de permanecer no anonimato. Kohl admitiu não ter declarado apenas US$ 1,3 milhão e se nega a revelar o nome dos doadores, alegando ‘‘questão de honra’’.
Huellen, embora não integrasse os quadros do partido, tinha acesso a todas as informações contábeis. Começou a trabalhar no setor de administração da CDU em 1972. E respondia pela seção de orçamento e finanças desde 1984. Era casado e pai de dois filhos.
‘‘Ele deixou uma carta, explicando os motivos’’, insistiu Hoester. Segundo a polícia alemã, aparentemente Huellen enforcou-se em sua residência. Parentes encontraram o corpo e chamaram os bombeiros.
Schaeuble, presidente da CDU, pediu desculpas no Parlamento por ter recebido e não declarado, em 1994, ‘‘doação política’’ de US$ 52.000 do comerciante de armas Karlheinz Schreiber. Ele lamentou os ‘‘danos causados às instituições democráticas pelas manobras obscuras das finanças da CDU e aos partidos políticos, que perderam a confiança dos cidadãos’’.
O depoimento de Schaeuble não satisfez a oposição social-democrata, que pediu atitudes concretas aos democrata-cristãos para resolver definitivamente a crise.
Pouco depois do pronunciamento do líder democrata-cristão, uma comissão parlamentar de inquérito – criada para apurar o escândalo – iniciou seus trabalhos. O grupo é presidido pelo deputado social-democrata Volker Neuman. Segundo ele, Kohl encabeçará a lista de convocados para depor.
Pelo menos 25 altos colaboradores do ex-chanceler deverão ser interrogados, entre os quais o ex-ministro das Relações Exteriores Hans-Dietrich Genscher, Schaeuble, atual presidente da CDU, e os ex-tesoureiros Walther Leisler Kiep e Brigitte Baumeister, e o atual tesoureiro, Mathias Wissmann.
A comissão pretende ouvir também o comerciante de armas Karlheiz Schreiber, que tem dupla cidadania, alemã e canadense, e está detido em Toronto, aguardando o desfecho de um processo de extradição para a Alemanha. Volker não fixou datas para as tomadas de depoimentos.

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