A neutra Suíça, cuja expulsão de judeus fugindo de Hitler tem sido amplamente criticada, tratou refugiados ciganos de maneira ainda pior, afirma um estudo divulgado na sexta-feira. O relatório, elaborado por historiadores internacionais e suíços, afirma que não existe informação suficiente para estimar o número de ciganos forçados a retornar para morrer nas mãos dos nazistas, apesar de ter citado casos individuais. Afirma-se que a Suíça não se dispôs a conceder asilo mesmo depois de tomar conhecimento de que ciganos eram alvos de genocídio por parte de Hitler. Estimativas indicam que cerca de 100.000 ciganos foram mortos pelos nazistas.
‘‘A Suíça pertenceu no começo do século 20 ao grupo dos primeiros países que restringiram a liberdade de movimento dos ciganos’’, diz o estudo de 102 páginas, acrescentando que a maioria dos países europeus acusava-os de tendências ‘‘criminosas’’ como o roubo. A Suíça suspendeu o banimento apenas em 1972. A Itália fascista começou a expulsá-los na década de 20, levando a casos em que famílias ciganas eram empurradas de um lado para o outro da fronteira suíço-italiana, segundo o estudo. A Holanda e outros países seguiram o exemplo com suas próprias políticas de expulsão no início da década de 30.
O relatório foi compilado por um painel liderado pelo historiador suíço Jean-Francois Bergier. Especialistas criticaram no ano passado a Suíça por ter fechado suas fronteiras para os judeus em 1942 quando ficou conhecido que Hitler estava implementando sua ‘‘solução final’’, que era a de matar 6 milhões de judeus na Europa. A Suíça admitiu 27.000 refugiados judeus durante a era nazista mas fez retornar um número semelhante, de acordo com historiadores.
Em contraste com a extensa informação sobre o sofrimento dos judeus, existe pouca documentação a respeito dos ciganos. Em geral, a única organização que manteve qualquer arquivo sobre eles na primeira metade deste século foi a Comissão Internacional de Polícia Criminal – o embrião da atual Interpol.
Um ano antes de os nazistas subirem ao poder na vizinha Alemanha em 1933, o delegado suíço na conferência anual da comissão de polícia explicou que os ciganos já não eram mais um problema.
‘‘Desde a (Primeira) Guerra (Mundial) ciganos não têm mais permissão de obter permissão de residência e no início da guerra (em 1914) todos os ciganos presentes na Suíça foram internados ou tiveram de deixar o país’’.
Um documento da polícia de 1951 afirma que a política continuava em vigor e sustentou que ‘‘ciganos, no verdadeiro sentido da palavra, não vivem mais na Suíça’’. Como outros países europeus, a Suíça chegou mesmo a usar esterilização forçada contra ciganos, afirma o estudo. A esterilização foi feita no mesmo contexto que praticada contra ‘‘elementos impróprios’’ na Escandinávia e foi uma tentativa de evitar a passagem de genes de pessoas deficientes e ‘‘anti-sociais’’.
‘‘Sintis e romas foram muitas vezes vítimas da política de esterilização alem㒒, afirmou o painel, que usou no relatório o nome que os ciganos preferem ser chamados. Poucos ciganos marcados para a esterilização conseguiram escapar, mas o estudo descobriu um caso no qual autoridades suíças se recusaram a conceder asilo a um homem ameaçado de esterilização ‘‘porque esterilização não é contra a lei’’.

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