Suíça não deu ajuda a ciganos contra nazistas
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domingo, 03 de dezembro de 2000
Associated Press De Genebra 
A neutra Suíça, cuja expulsão de judeus fugindo de Hitler tem sido amplamente criticada, tratou refugiados ciganos de maneira ainda pior, afirma um estudo divulgado na sexta-feira. O relatório, elaborado por historiadores internacionais e suíços, afirma que não existe informação suficiente para estimar o número de ciganos forçados a retornar para morrer nas mãos dos nazistas, apesar de ter citado casos individuais. Afirma-se que a Suíça não se dispôs a conceder asilo mesmo depois de tomar conhecimento de que ciganos eram alvos de genocídio por parte de Hitler. Estimativas indicam que cerca de 100.000 ciganos foram mortos pelos nazistas.
A Suíça pertenceu no começo do século 20 ao grupo dos primeiros países que restringiram a liberdade de movimento dos ciganos, diz o estudo de 102 páginas, acrescentando que a maioria dos países europeus acusava-os de tendências criminosas como o roubo. A Suíça suspendeu o banimento apenas em 1972. A Itália fascista começou a expulsá-los na década de 20, levando a casos em que famílias ciganas eram empurradas de um lado para o outro da fronteira suíço-italiana, segundo o estudo. A Holanda e outros países seguiram o exemplo com suas próprias políticas de expulsão no início da década de 30.
O relatório foi compilado por um painel liderado pelo historiador suíço Jean-Francois Bergier. Especialistas criticaram no ano passado a Suíça por ter fechado suas fronteiras para os judeus em 1942 quando ficou conhecido que Hitler estava implementando sua solução final, que era a de matar 6 milhões de judeus na Europa. A Suíça admitiu 27.000 refugiados judeus durante a era nazista mas fez retornar um número semelhante, de acordo com historiadores.
Em contraste com a extensa informação sobre o sofrimento dos judeus, existe pouca documentação a respeito dos ciganos. Em geral, a única organização que manteve qualquer arquivo sobre eles na primeira metade deste século foi a Comissão Internacional de Polícia Criminal o embrião da atual Interpol.
Um ano antes de os nazistas subirem ao poder na vizinha Alemanha em 1933, o delegado suíço na conferência anual da comissão de polícia explicou que os ciganos já não eram mais um problema.
Desde a (Primeira) Guerra (Mundial) ciganos não têm mais permissão de obter permissão de residência e no início da guerra (em 1914) todos os ciganos presentes na Suíça foram internados ou tiveram de deixar o país.
Um documento da polícia de 1951 afirma que a política continuava em vigor e sustentou que ciganos, no verdadeiro sentido da palavra, não vivem mais na Suíça. Como outros países europeus, a Suíça chegou mesmo a usar esterilização forçada contra ciganos, afirma o estudo. A esterilização foi feita no mesmo contexto que praticada contra elementos impróprios na Escandinávia e foi uma tentativa de evitar a passagem de genes de pessoas deficientes e anti-sociais.
Sintis e romas foram muitas vezes vítimas da política de esterilização alemã, afirmou o painel, que usou no relatório o nome que os ciganos preferem ser chamados. Poucos ciganos marcados para a esterilização conseguiram escapar, mas o estudo descobriu um caso no qual autoridades suíças se recusaram a conceder asilo a um homem ameaçado de esterilização porque esterilização não é contra a lei.


