A Procuradoria-Geral da Indonésia acusou ontem formalmente o ex-presidente Suharto de corrupção generalizada e informou que planeja levá-lo aos tribunais o mais rápido possível. Suharto renunciou em 1998, em meio a protestos contra seu regime autoritário.
‘‘A partir de hoje (ontem) a condição de Suharto é a de um acusado’’, disse Umbu Laga Lazore, membro da equipe que investiga a origem das riquezas do ex-ditador. Suharto, de 79 anos, teria desviado US$ 155 milhões de diversas entidades de caridade que supervisionava enquanto governou o país, por mais de três décadas.
Opositores, entretanto, dão conta de que Suharto teria se apoderado de bilhões de dólares. A acusação foi intencionalmente limitada ao valor de 155 milhões, a fim de garantir a pena máxima ao ex-presidente – a prisão perpétua.
Os advogados de Suharto, que está cumprindo prisão domiciliar desde o começo deste ano, negam as acusações. Segundo a defesa, o ex-presidente está muito doente para testemunhar em qualquer processo. ‘‘Suharto tem lesões cerebrais’’, disse o advogado Juan Félix Tampubolon.
Vários policiais foram deslocados para as proximidades da residência do ex-ditador, a fim de afastar manifestantes, que têm protestado nas últimas semanas e exigem que Suharto seja julgado imediatamente – não apenas por corrupção, mas também por violações aos direitos humanos.
O presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, já revelou que poderia perdoar Suharto, caso o ex-presidente devolvesse o dinheiro.

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