Manifestantes e policiais voltaram a se enfrentar violentamente ontem e as forças de segurança ordenaram a evacuação de um centro comercial, após um aviso de bomba, no centro de Gotemburgo (sul da Suécia), onde é realizada até hoje a reunião da União Européia (UE). Centenas de furiosos manifestantes invadiram pelo segundo dia o centro de Gotemburgo, para protestar contra a cúpula da União Européia, a globalização e a agressão ao meio ambiente. Para contê-los, as autoridades suecas recorreram a forças antimotins, cães e até a polícia montada. Vinte e sete pessoas ficaram feridas, entre as quais dez agentes.
Os manifestantes lançaram pedras e fogos de artifício contra os policiais, que reagiram com granadas de gás lacrimogêneo e aplicando bastonadas nos mais agitados. Segundo um investigador, pelo menos cem manifestantes integravam um grupo coeso e extremamente violento que recebia ordens dos líderes em idioma alemão.
Os manifestantes quebraram vidros de dezenas de carros estacionados, vitrines de lojas e janelas de agências bancárias e restaurantes, incendiaram mesas e cadeiras de bares, queimaram pneus e destruíram bens públicos, numa explosão de violência que classificaram de ‘‘Batalha de Gotemburgo’’.
Vários deles tentaram entrar no Centro de Conferências, onde está acontecendo a reunião, que estava rodeado por um amplo cordão de segurança. Os policiais interviram, tentando fazer com que os manifestantes se dirigissem a uma explanada onde já estavam reunidos outros 5 mil jovens, com bandeiras vermelhas e negras do movimento anarquista e cartazes com frases contra a globalização.
As delegações de quatro países tiveram de abandonar às pressas o hotel, por falta de segurança. Foram instaladas duas cercas de arame farpado em torno do centro de conferências onde reúne-se a cúpula. Um jantar de confraternização para os 15 chefes de Estado e governo programado para o luxuoso restaurante Tragar’n, no jardim botânico, teve de ser cancelado. Os líderes da UE tiveram de se contentar com um ‘‘jantar de trabalho’’ no centro de conferências.
À noite, um manifestante foi ferido por um tiro disparado por um policial, durante manifestação que pretendia ser pacífica. A vítima foi levada para o hospital em estado grave e submetida a cirurgia. A polícia informou que mais de 150 pessoas foram detidas durante o dia de ontem.
Na véspera, em protestos igualmente violentos contra a presença na cidade do presidente americano, George W. Bush, 500 manifestantes foram presos. Entre eles, quatro dinamarqueses que carregavam bombas caseiras. Eles permanecem presos e deverão ser julgados por crimes de porte de explosivos e sabotagem.

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