Sudão do Sul permite estupros, afirma ONU
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sexta-feira, 11 de março de 2016
Folhapress 
São Paulo A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou ontem, por meio de relatório sobre direitos humanos, que o Sudão do Sul permite que combatentes violem as mulheres como "salário". A organização descreve a situação dos direitos humanos naquele país em guerra como uma das mais terríveis do mundo. "O Sudão do Sul está enfrentando uma das situações mais assustadoras do mundo para os direitos humanos, com o amplo uso de violações como instrumento de terror e arma de guerra", disse o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein.
"A escala e o tipo de violências sexuais - em geral cometidas por forças governamentais do Exército Popular de Libertação do Sudão e de suas milícias afiliadas - são descritos com detalhes terríveis, como a atitude, quase casual, mas calculada, daqueles que massacraram civis e destruíram propriedades e meios de subsistência", disse Al Hussein.
O Sudão do Sul, que se tornou independente do Sudão em julho de 2011, após décadas de conflito com Cartum, está imerso em uma guerra civil desde dezembro de 2013, quando o presidente Salva Kiir acusou seu ex-vice-presidente, Riek Machar, de querer derrubá-lo. Mais de 2,3 milhões de pessoas fugiram de suas casas, e dezenas de milhares de pessoas morreram por causa do conflito e das atrocidades cometidas por ambos os lados.
O relatório da ONU contém histórias de pessoas, incluindo crianças e pessoas com deficiência, que foram assassinadas, queimadas vivas, sufocadas, enforcadas e cortadas em pedaços. "Dada a amplitude, a profundidade e a gravidade das acusações, e a repetição no modo operativo, o relatório conclui que haja motivos razoáveis para crer que estas violações podem ser consideradas crimes de guerra e crimes contra a humanidade", disse o alto comissário. De acordo com a ONU, a grande maioria das mortes de civis não parece ser resultado do conflito, mas de ataques deliberados contra civis. A organização disse ainda que os atores estatais tiveram maior responsabilidade pela violência em 2015, dado o enfraquecimento das forças de oposição.


