Continuar a obra de Madre Teresa é uma tarefa imensa e Sor Nirmala, que sucedeu a religiosa que ganhou o Prêmio Nobel da Paz à frente da ordem das Missionárias da Caridade, não tem a pretensão de poder substituí-la.
‘‘Deus não me pede que seja Madre Teresa. Pede que seja Sor Nirmala. Esta é Sua obra e com Sua graça tudo é possível’’, explica a monja indiana numa entrevista concedida à AFP na sede da ordem em Calcutá.
Com 64 anos de idade, hindu convertida ao cristianismo, Sor Nirmala assumiu após a morte de Teresa, em 5 de setembro de 1997, a pesada carga de dirigir uma ordem de dimensões mundiais, integrada por 4.000 monjas, 400 irmãos e milhares de voluntários que administram 600 hospitais, orfanatos e estabelecimentos para leprosos ou doentes de aids.
O início, sem Madre Teresa, foi difícil, reconhece a religiosa. ‘‘Pensava: A quem vou recorrer em caso de dificuldade? E depois me dei conta que ela está conosco. Quando peço, ela me ilumina’’, disse Sor Nirmala, com sua voz tênue e serena, em seu sóbrio escritório do primeiro piso da ‘‘Casa da Madre’’.
No andar de baixo, numa ampla e luminosa sala, Madre Teresa repousa numa tumba de pedra branca, que recebe, diariamente entre cem e duzentos peregrinos.
Todas as pessoas próximas à ordem estimam que, embora não tenha o carisma de Teresa, Nirmala tem conseguido cumprir sua missão. As missionárias continuam ativas no mundo, da Índia à América Latina, da Austrália ao Iêmem. E vinte novas casas da ordem foram ou serão criadas este ano.
A religiosa afirma que as doações não diminuíram. Seu projeto é realizar o que foi ‘‘o maior desejo’’ de Madre Teresa: abrir uma casa na China e estender a ordem a países como Vietnã e Coréia do Norte.
As missionárias da Caridade, ordem fundada por Teresa em Calcutá em 1950 para ‘‘servir os pobres entre os pobres’’, serão necessárias sempre, afirma Nirmala. ‘‘Madre costumava dizer que quando não tivesse mais pobres nossa tarefa teria terminado. Mas isso não ocorrerá nunca’’, destaca.

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