Sucesso fortalece posição da ONU
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
Para a historiadora americana Doris Kearns Goodwin, o acordo que Kofi Annan, negociou com Saddam Hussein, poupando o mundo de mais um conflito armado e os EUA de uma enrascada , é exatamente o tipo de tarefa para a qual a ONU foi criada, mas acabou impedida de realizar durante seus primeiros 45 anos de vida por causa da guerra fria.
Doris disse que o sucesso de Annan é importante não apenas pelo seu efeito imediato, mas também porque dá argumentos a americanos internacionalistas, como ela, para defender publicamente as Nações Unidas e alterar os termos do debate sobre a organização, que foi dominado nos últimos anos nos EUA pela visão dos isolacionistas e dos que vêm a ONU como uma limitação ao poder global da superpotência americana.
O tímido endosso que a administração Bill Clinton fez na semana passada do acordo entre a ONU e o Iraque, depois de a secretária de Estado, Madeleine Albright, ter procurado extrair parte do crédito pelo sucesso da operação indicando que fixou parâmetros dentro dos quais Annan atuou, deixou o campo aberto para o comando do Partido Republicano no Senado denunciar agressivamente a ação do secretário-geral.
O líder da maioria conservadora, senador Trent Lott, pediu que a administração rejeite formalmente um negócio que deixa Saddam celebrando. O político republicano contestou a própria noção de um acordo com o ditador. É sempre possível fazer um acordo se você ceder o suficiente, ele disse. Mas não nos podemos dar ao luxo de garantir a paz a qualquer preço.
Esta não é uma visão unânime entre os republicanos. O presidente da Câmara, Newt Gingrich, e o senador John Warner, especialista em questões militares, abriram um crédito a Annan e endossaram a posição da administração, dizendo que querem ver o acordo ser testado.
A retomada sem acidentes das inspeções nos lugares que os peritos da ONU consideram suspeitos de guardar equipamentos e materiais para a fabricação de armas químicas e biológicas reforçará a posição dos moderados. Além disso, aumentará as chances de os políticos americanos iniciar um debate racional sobre o papel positivo e indispensável que as Nações Unidas podem desempenhar no mundo multipolar do pós-guerra fria.


