Sucesso democrata beneficia Clinton
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quinta-feira, 05 de novembro de 1998
Paulo Sotero Agência Estado 
A satisfação generalizada dos americanos com seis anos ininterruptos de prosperidade econômica e uma desastrada tentativa dos líderes republicanos no Congresso de usar o caso Lewinsky como arma eleitoral contra Bill Clinton combinaram-se com uma brilhante manobra da Casa Branca para mobilizar o voto dos negros nos dias finais da campanha, produzindo uma supreendente vitória política para o presidente dos Estados Unidos e seu Partido Democrata nas eleições da terça-feira.
O veredito das urnas garantiu mais uma ressurreição política de Clinton e complica o processo de impeachment que os conservadores iniciaram em setembro contra ele, por conta das mentiras que ele contou para esconder seu envolvimento sexual com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. As eleições também deixaram os democratas em posição para retomar o controle da Câmara e mesmo do Senado dentro de dois anos, o que lhes dá novo ânimo para engajar-se na campanha de seu mais provável candidato à Casa Branca no ano 2000, o vice-presidente Albert Gore.
Satisfeito e encorajado pelos resultados, Clinton disse ontem que os eleitores enviaram uma mensagem positiva para os líderes políticos, de que respondem a propostas sobre questões que afetam suas vidas e estão orientadas para o futuro. O vice-presidente Gore disse que os americanos tinham uma escolha e escolheram o progresso sobre o partidarismo.
A perspectiva de permanência de Clinton na Casa Branca e o afastamento do trauma político de um impeachment foi bem recebida pelos investidores e deve reforçar a tendência à estabilização dos mercado e retomada de confiança, que começou há duas semanas com a redução dos juros nos EUA e ganhou impulso com o início do saneamento do sistema bancário no Japão e a decisão do Congresso americano de aprovar a contribuição do país para o aumento do capital do Fundo Monetário Internacional.
A eleição foi uma clara derrota para o presidente da Câmara de Representantes, Newt Gingrich, o homem que quatro anos atrás levou os republicanos ao comando do Congresso pela primeira vez em mais de 40 anos mas, desde então, mostrou um inigualável talento para cometer erros de cálculo e transformar vitórias em derrotas.
A bancada republicana na Câmara encolheu para 223 deputados federais, ou cinco a menos do que possuiam. Os democratas avançaram de 206 para 211 deputados e poderão contar com o apoio do único independente da Câmara, o deputado Bernard Sanders, de Vermont. No Senado, onde estavam em jogo 34 das 100 vagas, 18 das quais pertencentes a democratas, a relação de força não se alterou e os republicanos tiveram que se contentar com a manutenção de sua vantagem atual de 55 a 45 cadeiras.


