Ansa
De Moscou
O recém-destituído premier russo Sergei Stepashin disse ontem que seu país corre o risco de perder a província sulista do Daguestão, onde pelo terceiro dia consecutivo as tropas federais entraram em conflito contra grupos armados de rebeldes islâmicos, que vieram da Chechênia e de outras regiões do Cáucaso.
‘‘A situação no Daguestão é muito difícil. Penso que verdadeiramente podemos perder (a região)’’, declarou Stepashin ao concluir sua última reunião de gabinete.
Centenas de combatentes que aspiram a independência de Moscou tomaram o controle de pelo menos três aldeias nas montanhas do Daguestão, uma república vizinha da Chechênia, e há três dias resistem aos ataques da artilharia e dos helicópteros russos que tentam desalojá-los.
Ontem, segundo agências de notícias russas, novos tiroteios foram ouvidos enquanto que a polícia local cercava um local onde está reunido um ‘‘conselho islâmico’’, vinculado aos muçulmanos da Chechênia, que havia difundido um comunicado afirmando que proclamariam o Daguestão como um Estado islâmico.
O premier designado ontem por Yeltsin, Vladimir Putin, ex-chefe dos serviços secretos, decidiu anular imediatamente todas as disposições de seu predecessor Stepashin para o norte do Cáucaso.
Um sinal da grave situação na região, que está praticamente fora do controle das tropas russas, foi o ataque contra o helicóptero que levava hoje o chefe do Estado-maior do Exército russo, Anatoly Kravshin, que desde anteontem estava no Daguestão.
As forças de segurança da Rússia e os militantes islâmicos, da província separatista da Chechênia, enviaram reforços para a região do Cáucaso nesta segunda-feira diante da possibilidade de novos confrontos nas aldeias capturadas pelos rebeldes no final de semana. Este é o mais grave conflito interno da Rússia desde a guerra da Chechênia em 1994-1996.
Observadores expressaram ontem seu temor da explosão da ‘‘bomba do Cáucaso’’, como é conhecida a região onde recrudesceram os conflitos - especialmente religiosos - depois da queda do regime soviético, em 1991.
Na vizinha Geórgia, outra das repúblicas que tem fronteira com o Daguestão, a polícia disse que um avião russo bombardeou ontem um povoado do lado georgiano, ferindo duas pessoas.
Moscou desmentiu a informação, mas a tensão continua altíssima.
A televisão russa indicou que quatro policiais morreram e 17 ficaram feridos anteontem, por causa de uma bomba lançada por ‘‘equívoco’’ pela aeronáutica russa. Mas os rebeldes chechenos deram outra versão e disseram as vítimas foram resultado de um enfrentamento com suas milícias.

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