Nova Délhi - Sonia Gandhi, que levou seu partido à vitória nas eleições indianas, anunciou nesta terça-feira que renunciava ao cargo de primeiro-ministro, depois de uma violenta campanha contra suas origens italianas e dúvidas sobre a estabilidade do governo que pretendia formar.
''O cargo de primeiro-ministro nunca foi meu objetivo, e seguirei minha voz interior, que me aconselhou a declinar do posto com humildade'', declarou Gandhi, 57 anos.
O anúncio espetacular pronunciado no parlamento provocou gritos de decepção e de raiva. Muitos deputados a imploraram para que voltasse atrás , clamando: ''Longa vida a Sonia Gandhi''.
''Peço a vocês que aceitem minha decisão, e não voltarei atrás. Resolvi seguir minha consciência'', explicou, destacando que ''sua maior necessidade no momento é propiciar ao país uma direção forte e estável''.
Respondendo de forma implícita à campanha dos nacionalistas hindus, derrotados nas eleições, a herdeira da dinastia Nehru-Gandhi lembrou: ''meu objetivo sempre foi proteger os fundamentos laicos de nossa nação''.
''Vencemos uma batalha, mas não ganhamos a guerra. O combate é longo e árduo, e continuarei lutando com uma total determinação'', afirmou Sonia Gandhi.
Durante mais de duas horas e meia, deputados tentaram, sem sucesso, convencer Gandhi a mudar de idéia. ''Ouvi os pontos de vista expressados, e tomei minha decisão, consciente da ansiedade de vocês. Mas, se confiarem em mim, me permitam assumir minhas decisões'', prosseguiu.
Segundo líderes comunistas, aliados do partido do Congresso, de Gandhi, foram os filhos de Sonia, Rahul, 33 anos, e Priyanka, 32 anos, que incentivaram sua mãe a renunciar ao cargo de primeiro-ministro da maior democracia do mundo.
''A Índia é um país muito violento. Este é um caso de família. Se os filhos disserem: 'Já perdemos nosso pai, não queremos perder nossa mãe também', é a decisão deles'', explicou o velho dirigente comunista Jyoti Basu.
Nascida na Itália, Sonia Gandhi tem a nacionalidade indiana desde 1984. O marido de Gandhi, Rajiv, foi assassinado em 1991, e sua sogra, Indira, o havia sido em 1984. Os membros do partido do Congresso levara sete anos para convencer Sonia Gandhi a assumir a liderança em 1998.
De acordo com dirigentes comunistas, dois ex-ministros das Finanças, Manmohan Singh, 71 anos, e Pranab Mukerjee, 68 anos, são candidatos a substituir Gandhi na diretoria do grupo parlamentar do Congresso.
No entanto, Singh parece ser o favorito de Sonia Gandhi, segundo redes de televisão. Os primeiros rumores sobre as reticências de Sonia Gandhi a se tornar primeiro-ministro começaram a circular na tarde desta terça-feira.
Reproduzidos por redes de televisão, estes rumores levaram milhares de seus partidários a se concentrar progressivamente diante de sua residência, onde alguns até ameaçavam se suicidar.
''Amamos Sonia, e morreremmos por ela'', gritaram os manifestantes. No entanto, os rumores sobre a renúncia de Gandhi e sua substituição por Manmohan Singh influenciaram a bolsa de Bombaim, que fechou em alta de 8,25% nesta terça-feira, depois de ter perdido mais de 11% na segunda-feira.

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