Washington A sonda espacial americana Stardust retornou ontem à Terra, com uma amostra preciosa de poeira de estrelas e cometas recolhida em um período de sete anos, que pode revelar segredos sobre a origem do sistema solar. Depois de percorrer 4,63 bilhões de quilômetros, mais de 10 mil vezes a distância da Terra à Lua, uma cápsula de 46kg pousou às 7h57 (horário de Brasília) no deserto de Utah. Segundo as primeiras informações da Nasa, a velocidade de entrada da cápsula foi de 46.444 km/h, a maior alcançada por um objeto construído por humanos, superando o recorde de retorno do módulo de comando da missão Apolo 10, registrado em 1969.
Lançada em 1999, a sonda Stardust, de 385kg, deu duas voltas ao redor do Sol, e depois se encontrou com o cometa Wild 2, perto de Júpiter, em 2 de janeiro de 2004. Tirou 72 fotos do cometa, mostrando grandes rochas em sua superfície, crateras e cerca de 20 gêiseres, que expelem gás e poeira. Durante a travessia, a Stardust abriu primeiro um escudo para se proteger dos gases e da poeira espacial contidos no rastro do cometa.
A carga celeste lançada na cápsula sobre o deserto poderá oferecer informações físicas e químicas sobre a formação dos planetas. Ela será recuperada por helicópteros, que a transportarão até o Centro Espacial Johnson, no Texas. A análise das amostras de partículas cósmicas poderá ocupar os cientistas por 10 anos.
''As informações, tanto químicas quanto físicas nas partículas dos cometas poderiam revelar a história da formação dos planetas, assim como dos materiais que os compõem'', declarou Don Brownlee, cientista encarregado do projeto e professor da Universidade Washington, em Seattle.

mockup