LIMA - A crise dos reféns na residência do embaixador japonês em Lima completou ontem uma semana sem perspectivas de rápida solução. Na véspera do Natal, a única regalia que os 140 altos funcionários peruanos, diplomatas e empresários em poder do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) tiveram foi um panetone para cada, levado pela Cruz Vermelha. O grupo guerrilheiro garantiu que nunca se renderá e o governo japonês estimou que a crise poderá entrar em 1997.
‘‘O que o governo do presidente Alberto Fujimori está pedindo é que o grupo desista’’, disse em Hamburgo (na Alemanha) o auto-intitulado porta-voz do MRTA Isaac Velazco. ‘‘A palavra rendição ou capitulação não está no vocabulário do soldado do Tupac Amaru’’, acrescentou ele em entrevista à rede de TV americana CNN.
Pouco antes, a mulher de Velazco, Norma, telefonara de Hamburgo para uma rádio paraguaia afirmando que o grupo estaria planejando mais ataques. Segundo fontes policiais peruanas, outro comando do MRTA pode estar clandestinamente em Lima preparado para agir se as autoridades tentarem usar a força contra os cerca de 20 guerrilheiros que ocupam a residência diplomática.
Mas o presidente Alberto Fujimori garantiu estar empenhado numa solução pacífica. ‘‘Estamos fazendo o máximo para resolver a crise sem derramar sangue’’, disse ele em telefonema ao presidente da Coréia do Sul, Kim Young-sam - preocupado com um cidadão sul-coreano que está entre os reféns. ‘‘Esperamos que a terceira rodada de negociações em andamento seja um sucesso - esperamos uma solução rápida e pacífica.’’
Entretanto, em Tóquio, o primeiro-ministro japonês, Ryutaro Hashimoto, disse não acreditar numa saída a curto prazo.

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