France PresseEmbarqueO primeiro-ministro japonês (à direita) embarca, em Tóquio, para o Canadá a fim de se encontrar com o presidente peruano para discutir a situação dos reféns presos há um mês e meio na Embaixada do Japão em Lima. O Governo japonês se preocupa com as provocações da polícia contra os sequestradoresPouco antes de partir para Toronto - onde se reúne hoje, oficialmente com o primeiro-ministro do Japão, Ryutaro Hashimoto -, o presidente peruano, Alberto Fujimori, reconheceu na quinta-feira à noite que a crise dos reféns em Lima ainda pode se estender por muito tempo.
‘‘Tenho familiares lá dentro e terei paciência para permitir que todos os reféns sejam libertados sãos e salvos; o sequestro pode ainda se prolongar por algumas semanas ou alguns meses’’, declarou Fujimori à rede de televisão argentina CVN.
Um irmão do presidente, Pedro Fujimori, está entre os 72 cativos na residência do embaixador japonês na capital peruana, tomada de assalto por um comando do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) em 17 de dezembro.
Ainda em Lima, Fujimori encontrou-se com 43 outros familiares de reféns no palácio do governo e declarou-se ‘‘solidário’’ a eles. ‘‘Junto-me a vocês na angústia, ansiedade e sofrimento destes últimos dias’’, disse o presidente.
Fujimori partiu para o encontro com Hashimoto na madrugada de ontem. O governo japonês tem criticado a polícia peruana pelas demonstrações de força que os militares vêm promovendo na frente da sede diplomática desde o começo da semana.
Durante a reunião de hoje, Hashimoto deve recomendar prudência ao presidente peruano, mas, de acordo com fontes de Lima e de Tóquio, a possibilidade de uma ação militar de resgate não está descartada por nenhum dos dois governos.
Fujimori deve deixar ainda hoje o Canadá. Ele viajará à tarde para Washington, onde participa de uma reunião de cúpula econômica e, na segunda-feira, depõe numa sessão do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a crise dos reféns.
A embaixada peruana na capital americana anunciou que não está previsto nenhum encontro entre Fujimori e o presidente americano, Bill Clinton. A reunião era tida como certa por jornalistas peruanos.
O porta-voz da Casa Branca, Mike McCurry, informou que o peruano não fez nenhum pedido de audiência a Clinton.
MRTA tem paciência O Movimento Revolucionário Tupac Amaru indicou ontem que, ao contrário de seus 72 reféns, estão preparado para suportar o tempo necessário a fim de conseguir a libertação de seus companheiros presos.
‘‘Nós não temos nenhum problema em esperar o tempo que seja necessário. Temos a paciência, a serenidade e o tempo para conseguir um acordo político’’, afirmou Isaac Valazco, porta-voz do MRTA, por telefone de Hamburgo.
‘‘Estamos acostumados a este tipo de coisa. Os outros dentro da residência não estão’’, sublinhou Velazco ao referir-se aos dois ministros, dois embaixadores, um irmão do presidente Alberto Fujimori, empresários e outras personalidades que foram à residência do embaixador do Japão em 17 de dezembro para desfrutar de uma festa e onde desde então estão cativos.

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