Soldados ocuparão Hong Kong dia 1º
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sexta-feira, 27 de junho de 1997
Rebeca Kritsch Agência Estado Hong Kong 
O futuro chefe-executivo de Hong Kong, Tung Chi Hua, anunciou ontem que mais 4.000 soldados do Exército Popular de Libertação chinês entrarão no território às 6 da manhã do dia 1 de julho. Eles virão em seis helicópteros, dez navios, 21 carros blindados e 400 outros veículos.
Pequim está emitindo os sinais errados para o povo de Hong Kong, criticou o governador Chris Patten. A presença do exército chinês, executor do massacre da Praça da Paz Celestial em 1989, incomoda os moradores da futura ex-colônia.
Mas Washington considerou que a China está atuando dentro de seus direitos.
Eles sempre advertiram que colocariam seus soldados onde estavam as forças britânicas. Este é território deles, disse uma fonte da Casa Branca que pediu para não ser identificada.
Ontem foi o último dia útil antes da transferência da colônia britânica para o governo de Pequim. Foi agitado, e provavelmente florido nos escritórios, a julgar pelo número de entregadores de flores nas ruas e no metrô.
Nos próximos cinco dias, será feriado em Hong Kong. Os escritórios só voltam a funcionar na quinta-feira. A sexta-feira foi dia de preparativos, para as festas e para viagens. Milhares de moradores vão para o exterior, e só voltam quando acabar o frenesi da reunificação.
O governador Patten cumpriu mais um ritual pela última vez, na sua semana de despedida do governo de Hong Kong. Quando assumiu o posto, Patten adotou a prática de visitar o povo onde ele vive. Ontem, ele foi a creches na Península de Kowloon. Em seguida, sempre acompanhado da mulher, participou de uma cerimônia taoísta no templo de Wong Tai Sin. Ajudou a libertar pássaros e fez uma prece para que Hong Kong continue próspera e livre. Por onde passou, foi assediado pelo público, que pediu autógrafos e se despediu do último administrador colonial.
O Conselho Legislativo, que será dissolvido por Pequim à meia-noite de segunda-feira, estendeu sua última sessão madrugada adentro. Os parlamentares deixarão mais de 20 novas leis votadas. Mas a maioria delas será anulada pela próxima legislatura, que toma posse horas depois da transferência.
Também foi ontem a última cerimônia de troca da guarda pelo batalhão Black Watch. Os soldados se preparam para deixar o território na próxima semana. Os veículos do exército já foram vendidos, a maioria para empresas privadas. Os oficiais circulam em carros e ônibus alugados.
Nos últimos dias da colônia, o capitão Cohn Brown sente-se pouco confortável circulando por Hong Kong em uniforme e quepe decorado com penacho. Há uma certa hostilidade em relação a nós, conta. Não tem sido raro, segundo Brown, os chineses se recusarem a conversar em inglês com os oficiais. Sobretudo os motoristas de táxi, diz.


