Bagdá - O exército norte-americano foi alvo de um novo ataque em Fallujah, com o saldo de dois soldados mortos e um ferido, enquanto continuava a investigação sobre a queda do helicóptero de combate Blackhawk em Tikrit que causou a morte de seis soldados na sexta-feira.
  Os dois soldados americanos morreram e outro ficou ferido este sábado quando o veículo em que estavam passou sobre um artefato explosivo na cidade iraquiana de Fallujah, a 50 km ao oeste de Bagdá, informou um porta-voz militar dos Estados Unidos.
  ‘‘Dois deles morreram em ação e outro ficou ferido quando seu veículo passou sobre um artefacto explosivo artesanal às 08h30 (03h30 pelo horário de Brasília)’’, declarou o porta-voz.
  Já o Comitê Internacional da Cruz Vermelha fechou temporariamente seus escritórios nas cidades iraquianas de Bagdá e Basra (sul) por causa do ataque a sua sede na capital do país no mês passado, informou um porta-voz do organismo humanitário.
  ‘‘Decidimos fechar nossos escritórios em Bagdá e Basra, mas continuaremos presentes no norte do Iraque’’, declarou à AFP o porta-voz do organismo, Florian Westphal.
  No dia 27 de outubro, um atentado contra a sede do Comitê em Bagdá deixou 12 mortos, entre eles dois funcionários da Cruz Vermelha, e 22 feridos.
  Dois dias depois desse ataque, o Comitê decidiu ‘‘reduzir seu pessoal internacional’’ no local, enquanto destacou que isto não representava uma retirada do país.
  O secretário de Estado americano, Colin Powell, excluiu a retirada precipitada das tropas americanas no Iraque diante da multiplicação dos ataques e responsabilizou os sunitas iraquianos por essas ações, numa entrevista publicada este sábado.
  ‘‘Nós ficaremos no Iraque até o restabelecimento da segurança e da estabilidade. Nossas forças não são atacadas por um exército mas por grupos rebeldes que não representam o povo iraquiano’’, disse Powell ao jornal Asharq Al Awsat.
  ‘‘Nós queremos encerrar nossa presença no Iraque o mais cedo possível, mas não daremos jamais as costas para fugir porque a situação se torna difícil’’, afirmou.
  As forças da coalizão perderam desde o domingo passado 29 soldados e dois civis americanos morreram, tornando a última semana a mais difícil desde a queda do regime de Saddam Hussein em 9 abril.
  Os ataques mais assíduos ocorrem no chamado ‘‘triângulo sunita, que engloba Bagdá e as regiões ao norte e ao oeste da capital, de onde vem também Hussein, que é sunita.
  ‘‘Um dos problemas dos sunitas no Iraque é a ausência do ex-partido Baath. Não têm mais organizações ou dirigentes políticos que os representem’’, declarou Powell.
  ‘‘O melhor meio para que os sunitas sirvam a seus interesses reside em sua participação no processo de elaborar a Constituição e não no terrorismo’’, concluiu.
  A incipiente estratégia de retirada progressiva das forças americanas do Iraque, anunciada pelo Pentágono, foi recebida com ceticismo por responsáveis políticos americanos.
  O secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, disse na quinta-feira, quando anunciou um vasto movimento de troca de tropas no Iraque nos próximos meses, que também pretendia reduzir o número de efetivos no país, passando dos cerca de 130.000 para 105.000 em maio de 2004.
  Declarou que essa redução era possível, entre outras coisas, graças ao aumento das forças de segurança iraquianas e uma melhor adequação entre as unidades americanas enviadas e as necessidades no terreno.
  ‘‘Enviamos forças que estão adaptadas às ameaças emergentes hoje no Iraque, principalmente mais elementos de infantaria móvel’’, explicou. As forças operacionais de segurança iraquianas já chegam a 118.000 homens e poderiam atingir 170.000 em maio, estimou.
  O Exército americano pode também reduzir suas tropas transferindo cada vez mais tarefas aos civis.
  Vários políticos americanos expressaram posições opostas a esta anunciada redução de militares no Iraque. O senador republicano John McCain, um veterano do Vietnã muito consultado em questões de defesa, afirmou que, ao contrário, era necessário aumentar o número de militares americanos em pelo menos uma divisão (entre 15 e 20.000 homens), se quiserem estabilizar o Iraque. ‘‘Se a segurança não melhorar, será difícil avançar no plano político, já que o povo iraquiano não terá confiança em uma autoridade local incapaz de protegê-lo’’, destacou na quarta-feira.

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