France PresseSaudaçãoMantendo a compostura, os três militares norte-americanos, que permaneceram presos na Iugoslávia por pouco mais de um mês, prestam continência aos superiores ao desembarcar na Alemanha, mostrando-se bastante tranquilos e com aparência muito boa, revelando ótima condição após todos os percalços sofridosOs três soldados americanos capturados na fronteira macedônia por uma patrulha sérvia foram libertados ontem, por iniciativa do pastor americano Jesse Jackson, e chegaram à base aérea americana de Landstuhk (Alemanha).
O presidente americano, Bill Clinton - que hoje receberá, na Casa Branca, o negociador russo para a Iugoslávia (Sérvia e Montenegro), Viktor Chernomyrdin - reagiu com satisfação à notícia. Contudo, fez uma ressalva: os bombardeios contra o território sérvio e montenegrino vão prosseguir até que o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevik, aceite as exigências da comunidade internacional a encerre a campanha de repressão e limpeza étnica em Kosovo.
‘‘Estamos muito felizes com o regresso de nossos soldados, mas não podemos esquecer que há milhares de albaneses étnicos expulsos de suas casas’’, disse Clinton.
Depois de 32 dias confinados numa prisão militar nas proximidades de Belgrado (capital da Iugoslávia), os três soldados - Steven Gonzales, 22 anos, de Huntsville (Texas), Andrew Ramirez, 24, de Los Angeles (Califórnia), e Christopher Stone, 25, de Smiths Creek (Michigan) - desembarcaram sorrindo de um avião C-9 (de socorro médico), num vôo de 90 minutos, procedente de Zagreb (capital da Croácia).
Os soldados libertados acenaram para cerca de 200 militares, técnicos e funcionários da base, que os aguardavam na pista. Foram imediatamente conduzidos ao Centro Médico Regional de Landstuhl, para uma bateria de exames. ‘‘Os três aparentam bom estado de saúde’’, disse o porta-voz da base, coronel Mike Sullivan.
Segundo Sullivan, os soldados deverão permanecer ‘‘algum tempo’’ na base, antes de entrar novamente em ação ou regressar aos EUA.
Gonzales, Ramirez e Stone não tiveram permissão para conversar com os jornalistas, como ocorreu no aeroporto de Zagreb. Stone disse que eles foram bem tratados pelos sérvios. ‘‘As marcas que tenho no rosto são de contusões e ferimentos recebidos quando tentávamos evitar nossa captura’’, esclareceu. ‘‘Quando nos disseram no sábado que seriamos libertados no domingo, a excitação foi tão grande que não conseguimos dormir.’’
Stone afirmou ainda que rezou muito no cativeiro. ‘‘Esperamos que nossa libertação conduza, de alguma forma, à paz.’’
Investimento na paz O presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, libertou os três militares americanos como um ‘‘bom investimento na paz’’, mas não devido a uma ‘‘fragilidade’’, disse ontem à rede de TV americana CNN o representante da Iugoslávia ante a Onu, Vladislav Jovanovic. Perguntado por que Milosevic libertou os soldados, Jovanovic disse que o presidente ficou ‘‘muito impressionado’’ com a compreensão do reverendo Jesse Jackson sobre a situação em Kosovo. Segundo ele, a libertação dos militares não é um ‘‘sinal de fragilidade’’, acrescentando que seu país está determinado a resistir à ‘‘agressão estrangeira’’.
Jovanovic rebateu assim a declaração do secretário americano da Defesa, William Cohen, segundo a qual Belgrado teria libertado os soldados porque seu regime teria começado a ruir. ‘‘Todos os cálculos baseados nesta especulação (...) são totalmente infundados’’, disse, acrescentando que a liderança iugoslava ‘‘jamais considerou os soldados como inimigos’’ porque eles também são considerados ‘‘vítimas’’ da agressão americana e da Otan.

mockup