Soldados americanos matam jornalista
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segunda-feira, 18 de agosto de 2003
France Presse 
Washington O Pentágono confirmou que forças americanas mataram este domingo, a tiros, um cinegrafista palestino da agência de notícias britânica Reuters-TV, devido a um suposto erro de identificação. Mazen Dana morreu do lado de fora da prisão Abu Gharib, próxima a Bagdá, e testemunhas afirmaram que os tiros vieram de soldados americanos que vigiam o local. A vítima tinha quatro filhos e trabalhava para a Reuters há vários anos, principalmente em Hebron, Cisjordânia, de onde era originário.
O tenente-coronel Ken McClellan, porta-voz do Pentágono, adiantou que não conhece os detalhes do incidente, mas sugeriu que ele pode ter sido motivado por um erro de identificação, assegundo que a questão está sendo investigada. ''A princípio, não estava claro que se tratava de um jornalista'', disse.
A prisão Abu Gharib, a 25 km do centro de Bagdá, tornou-se causa de indignação com a ocupação comandada pelos Estados Unidos, devido a acusação de que muitos dos 500 detentos vivem em péssimas condições. Seis presos iraquianos foram assassinados e outros 59, feridos ontem em um ataque de morteiros contra a prisão, cenário de sangrentas rebeliões em junho passado, segundo o Exército americano.
Porta-vozes do Exército informaram que 500 pessoas continuam presas em Abu Gharib, onde foram torturados e executados milhares de iraquianos durante o governo de Saddam Hussein.
Em 24 de abril de 2002, Mazen Dana foi preso sem motivo aparente em um posto de controle do exército israelense nos arredores de Hebron, juntamente com um fotógrafo da Agência France Presse, que passou meses detido. Naquela ocasião, Dana teve melhor sorte e foi liberado horas depois.
Em Londres, o diretor de Informação Internacional da Reuters, Stephen Jukes, lamentou a morte do profissional: ''Mazen era um dos nossos melhores cinegrafistas. Estamos consternados com sua perda (...) Era um profissional corajoso (...) Estava disposto a cobrir os fatos onde quer que eles acontecessem, e seu trabalho serviu de inspiração para amigos e colegas da Reuters, e para os demais companheiros de profissão''.
A morte de Dana aconteceu cinco dias depois de Washington ter anunciado oficialmente que o tanque que atirou em 8 de abril de 2003 contra uma varanda do hotel iraquiano Palestina, onde estavam hospedados os jornalistas que cobriam a guerra em Bagdá, agiu em legítima defesa. Dois cinegrafistas um ucraniano que trabalhava para a Reuters-TV e um espanhol da rede de TV privada morreram no ataque.
O incidente fez crescer em Bagdá o sentimento de insegurança dos jornalistas, que estão à mercê dos saqueadores e, sobretudo, do nervosismo das forças americanas, que podem confundi-los com elementos hostis. Especialmente vulneráveis estão os repórteres de TV, já que suas câmeras são confundidas com armas. No total, 16 jornalistas morreram e 2 desapareceram desde o início da campanha militar anglo-americana no Iraque, em março passado.


