Soldado judeu mata 4 árabes israelenses dentro de ônibus
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quinta-feira, 04 de agosto de 2005
Folhapress 
São Paulo - Um soldado de 19 anos, desertor do Exército israelense, matou ontem quatro pessoas a bordo de um ônibus na cidade de Shfaram, cuja maioria da população é árabe israelense e que fica no norte de Israel. O terrorista era um extremista judeu que, segundo testemunhas, vestia o uniforme do Exército quando entrou no ônibus.
Após uma discussão com um passageiro, ele teria sacado a arma e começado a disparar. Ele foi linchado logo após o ataque. As quatro vítimas dos disparos são árabes israelenses.
Esse foi o pior ataque de um extremista judeu a árabes em Israel desde 1990. O premiê israelense, Ariel Sharon, divulgou uma nota afirmando que o atentado foi um ''ato terrível de um terrorista sanguinário'' e ordenou à polícia que desse prioridade à investigação do caso. A comunidade de árabes israelenses anunciou uma greve para hoje, em protesto.
De acordo com a polícia, a ação, que deixou mais de dez feridos, consistiu num ato de ''terrorismo judeu contra os árabes'', possivelmente motivado pela retirada de assentamentos judaicos da faixa de Gaza, que começa no dia 17. A polícia informou que Tzubeiri usava quipá (solidéu), o que o identificava como ortodoxo.
Tzubeiri, que também era conhecido como Natan Zada, vivia com a família no assentamento de Tapuah, conhecido por abrigar simpatizantes do rabino Meir Kahane colono nascido nos EUA que foi assassinado em 1990, em Nova York, e que defendia a expulsão dos árabes de Israel e dos territórios ocupados.
A administração do assentamento, porém, diz que Tzubeiri aparecia no local apenas de forma esporádica. Há informes não confirmados de que ele apenas recentemente tornara-se religioso.
Ataques de extremistas judeus a árabes não são novidade, mas raramente ocorrem em território israelense.
No atentado mais violento já cometido por judeus contra árabes, em 1994, um judeu norte-americano chamado Baruch Goldstein entrou numa mesquita na Tumba dos Patriarcas, um lugar sagrado tanto para judeus como para muçulmanos localizado em Hebron (Cisjordânia) e atirou contra muçulmanos que ali rezavam, matando 29. Ele também foi linchado após o ataque.


