Soldado australiano acena para civis em Timor
Agência Folha
De Townsville
Dos 51 militares do Exército brasileiro enviados para fazer parte da Interfet (Força Internacional para Timor Leste), apenas um está na ex-colônia portuguesa, o major Fernando do Carmo Fernandes, oficial de ligação entre o destacamento brasileiro e os australianos que lideram a força. Os outros 50 continuam em período de aclimatação, alojados em tendas na base da Raaf (Real Força Aérea Australiana) em Townsville, nordeste da Austrália.
O comandante-adjunto da Unidade de Preparação da Força, o major australiano Dave South, afirma que os brasileiros deverão partir para Timor Leste apenas no próximo final de semana.
Há ainda outros brasileiros em Timor, incluindo militares do Exército e da Marinha, desarmados e vinculados à missão das Nações Unidas (Unamet). A aclimatação é no sentido de superar a diferença de fuso horário e de tomar as vacinas necessárias, disse o capitão Denilson Santos Leitão, que comanda o pelotão da Polícia do Exército em Townsville.
Além disso, disse ele, os brasileiros estão recebendo instruções para facilitar seu entrosamento com as forças dos outros países e para aprender a se relacionar com a população local. Isso envolve saber coisas simples mas básicas, como reconhecer as insígnias e os postos dos vários exércitos que compõem a força. E também aprender sobre a cultura local.
Os brasileiros também têm de adaptar seu equipamento aos da força multinacional. É o caso, por exemplo, dos aparelhos rádios, que precisam operar nas mesmas frequências dos demais exércitos.
Soldados de outros países também estão passando pela base da Raaf em Townsville para se aclimatar. No caso de tropas vindas de países com clima temperado, como Itália e Canadá, trata-se do sentido estrito do verbo.
O capitão-médico Luiz Philipe Parente figura-chave em um destacamento que deverá ir a um território com grande número de doenças tropicais, como é o caso da malária trabalhou durante oito anos no Acre. Vários deles têm o distintivo que mostra que realizaram o rigoroso curso de guerra na selva na Amazônia. Outros são especialistas em guerra de montanha ou controle de distúrbios. O grupo inclui especialistas em motociclismo militar, e mesmo peritos criminais um conhecimento potencialmente útil em Timor.
A situação em Dili, capital timorense, continua tensa. Há problemas de abastecimento de gêneros básicos. O comércio local continua fechado. Os estoques de comida foram saqueados por tropas indonésias, que, antes de baterem em retirada, as revenderam aos civis que têm algum dinheiro. Um saco de arroz era vendido pelo triplo do preço praticado há um mês 150 mil rúpias, o equivalente ao salário mensal de um soldado pouco graduado. Alguns sacos de arroz ou milho traziam estampados logotipos de organizações humanitárias que haviam doado alimentos.
O comércio dos militares indonésios comprovava que os armazéns de alimentos doados também haviam sido saqueados antes que as tropas se retirassem da ex-colônia portuguesa.





