Alkoza - Dezesseis civis afegãos, entre eles crianças e idosos, foram mortos por um soldado americano que ontem de madrugada saiu de sua base na província de Kandahar, reduto talibã do Sul do Afeganistão, para realizar um massacre. ''Eu entrei em três casas e contei 16 mortos, incluindo crianças, mulheres e idosos'', disse o jornalista da AFP. ''Vi pelo menos duas crianças, de 2 ou 3 anos, que estavam queimadas'', afirmou. Há informações de pelo menos cinco feridos.
''O governo condenou reiteradamente operações realizadas em nome da guerra contra o terror, que causam perdas civis. Mas quando afegãos são mortos deliberadamente por forças americanas, trata-se de um assassinato e de uma ação imperdoável'', afirmou o presidente Hamid Karzai em um comunicado.
O general americano John Allen, que dirige a Isaf, força armada da Otan, assegurou que qualquer pessoa responsável pelo massacre ''pagará plenamente por seus atos'', prometendo uma investigação ''rápida e aprofundada''. ''Um suspeito está em custódia, e dei ao presidente Karzai a garantia de que levaremos os responsáveis perante a justiça'', disse o secretário da Defesa, Leon Panetta, em um comunicado.
O episódio é catastrófico para a Otan e para suas tropas, que já foram vítimas do ''fogo amigo'' de soldados afegãos formados por elas, o que comprometeu a confiança entre os dois campos. A situação, que é já extremamente tensa, pode se agravar, com represálias ainda maiores.
A coalizão da Otan, liderada pelos Estados Unidos, chegou no final de 2001 para tirar os talibães do poder e neutralizar Osama Bin Laden, mas foi se instalando progressivamente sob o pretexto de manter a paz e como força de interposição. Apesar dos grandes êxitos no combate aos rebeldes e da presença de mais de 130 mil soldados estrangeiros, a Isaf não conseguiu acabar com a insurreição e continua sofrendo pesadas baixas.

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